Publicidade
Notícias

Veja o que as baianas têm no Campo de São Bento, em Niterói

Publicidade
Claudia (de saia vermelha) e Cida estão com seus tabuleiros lado a lado, em Icaraí

A ideia da Prefeitura de Niterói ao criar, na semana passada, o “Canto da Bahia”, no Campo de São Bento, juntando duas tradicionais baianas, Iracilda Diniz (Cida) e Claudia Pitton, tem tudo para não dar certo.  Como diz o velho ditado, “amigos, amigos, negócios à parte”, as duas guerreiras da terra de irmã Dulce, Dorival Caymmi e Jorge Amado, que alegram Niterói com seus quitutes, preferem continuar separadas como antes, cada uma em seu canto na maior área verde da Zona Sul da ex-capital fluminense.

No tabuleiro das conterrâneas, o cardápio é semelhante. Ambos oferecem o melhor da famosa comida típica como o acarajé, bolinho de estudante, vatapá e caruru, além de doces tradicionais como cuscuz, tapioca, cocada, bolo de aipim e pé de moleque.

O último fim de semana teve momentos de constrangimento com a presença de amigos das duas baianas que demoravam a fazer a opção por uma das barracas. Um casal safo não titubeou, a mulher foi comer o acarajé numa barraca e o marido na outra.

Em rápidas pinceladas, conheça o perfil vitorioso dessas mulheres que realizam um trabalho artesanal com os quitutes baianos. Cida, uma mulher porreta, deixou a Bahia para trabalhar na Feira do Nordeste, em São Cristóvão, no Rio. Há mais de 30 anos aterrizou no Campo de São Bento com seu tabuleiro, de onde nunca mais saiu.

Quando a novela fala da terra de Caetano e Gil, a Globo chama Cida para assinar o cardápio. Ela fez também curso de aperfeiçoamento da cozinha brasileira no Senac do Rio e de Salvador, mas diz que usa mesmo as receitas secretas da avó.

Claudia, também uma mulher batalhadora, come acarajé desde os dois anos preparado pela avó e pela mãe. Trouxe a receita e as dicas da família de Salvador para Niterói, onde tempos depois montou sua barraca no Campo de São Bento conquistando uma freguesia cativa. Tem clientes globais como Regina Casé, que manda o motorista atravessar a ponte para pegar os pratos da culinária baiana com sua amiga em Niterói.

Pessoas como Cida e Claudia são as que trazem uma bonita história de vida a Niterói, realizando um trabalho que serve de exemplo para muita gente. Merecem ser prestigiadas e reconhecidas pelas autoridades da terra de Arariboia. Muito axé para Cida e Claudia.

Gilson Monteiro

Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.

Recent Posts

Exoneração de ‘fantasmas’ abre caminho para Couto reforçar a segurança no RJ

As delegacias de Polícia Civil, entre elas a 76a DP (Niterói) enfrentam um déficit de…

23 horas ago

O chef uruguaio que conquistou Niterói com seu pão artesanal

Bertoni vai participar do Circuito Gourmet Internacional de Chefs, no fim de semana, no Rio…

2 dias ago

Egberto Gomes de Mendonça deixa legado na educação e no serviço público

Egberto Gomes de Mendonça, uma generosidade e vocação para ajudar as pessoas Uma vida inteira…

1 semana ago

Paella Valenciana do Buffet Matamoros: tradição e sabor em Niterói

A paella valenciana é preparada pelo Buffet Matamoros em meio à festa em torno da…

2 semanas ago

O angu que virou febre: cariocas invadem Niterói atrás do sabor do Elcio

Clientes lotam as mesas em volta do bar da Marquês de Caxias para saborear o…

2 semanas ago

Estátua de Leila Diniz é inaugurada em Niterói, mas Espaço Ricardo Boechat segue sem identificação

A despojada Leila Diniz brilha no espaço dedicado — mas esquecido — ao jornalista Ricardo…

2 semanas ago
Publicidade