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Estátua de Leila Diniz é inaugurada em Niterói, mas Espaço Ricardo Boechat segue sem identificação

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A despojada Leila Diniz brilha no espaço dedicado — mas esquecido — ao jornalista Ricardo Boechat. / Divulgação PMN

A Prefeitura de Niterói vai inaugurar uma estátua em homenagem à atriz niteroiense Leila Diniz no Espaço de Convivência Ricardo Boechat, na Orla de São Francisco. No entanto, o jornalista que tanto amou Niterói, sequer tem seu nome lembrado no material de divulgação oficial e a sua pracinha em frente à Rua Tapuias continua sem identificação.

Para quem conheceu bem Ricardo Boechat, é fácil imaginar sua alegria — lá do céu — ao ver que, no espaço que leva seu nome na terra de Araribóia, será eternizada uma artista de espírito tão libertário quanto o dele. Leila teve uma carreira meteórica e brilhante no teatro, cinema e televisão, e morreu em 1972, aos 27 anos, em um desastre aéreo quando sobrevoava a Índia. Ela estava voltando ao Brasil, depois de receber na Austrália uma premiação cinematográfica.

Bonita homenagem a Leila. Mas ainda falta algo essencial: uma placa identificando oficialmente o Espaço Ricardo Boechat, criado por lei em novembro de 2020 pelo então prefeito em exercício Paulo Bagueira. Está na hora de o prefeito Rodrigo Neves providenciar essa justa sinalização.

Afinal, ninguém divulgou mais a cidade de Niterói do que o brilhante jornalista — que, por coincidência, também faleceu em um desastre aéreo, em São Paulo, aos 66 anos, em 2019. Em sua coluna em O Globo, como comentarista da CBN e da TV Globo, na Folha de S. Paulo, no Jornal do Brasil e na rádio e TV Bandeirantes, Boechat estava sempre falando da cidade que amava, lembrando do Centro Educacional onde estudou e do bairro de São Francisco, onde morou na juventude.

Por tudo isso, ele merece mais do que o nome em uma pequena praça. Merece uma estátua, em reconhecimento ao papel fundamental que teve ao projetar Niterói para o Brasil — e, por que não, para o mundo.

Tocando o barco

No livro Toca o Barco (Editora Máquina de Livros), cujo título lembra o bordão de Boechat e reúne histórias contadas por 32 jornalistas que conviveram com ele, escrevi o artigo “A mais cintilante estrela de Niterói”, destacando sua importância como profissional de imprensa e como ser humano de simplicidade franciscana. Boechat gostava de estar perto das pessoas humildes, não se impressionava com o poder e não tinha medo de nada nem de ninguém.

Em um dos trechos, conto sua paixão pelas pequenas coisas, como a tradicional pelada na areia, todo sábado, na Praia de São Francisco. Para se ter ideia do quanto isso significava para ele, certa vez estava em Paris, hospedado no luxuoso Plaza Athénée. A volta ao Brasil estava prevista para segunda-feira, mas, como terminou o trabalho na sexta, correu ao aeroporto para tentar antecipar o retorno. Disse à atendente da Varig que precisava embarcar imediatamente porque tinha um compromisso muito importante no dia seguinte. Foi firme para conseguir o voo — tudo para não perder a pelada de sábado na praia de São Francisco.

De tão contente, comprou duas garrafas de champanhe Dom Pérignon para brindar com os amigos do futebol, mas esqueceu a sacola com as bebidas em uma cadeira no Aeroporto Charles de Gaulle. Se não pôde brindar naquela tarde, compensava sempre que podia: nas manhãs de seu programa na BandNews, citava nomes e apelidos dos companheiros que lhe proporcionaram tantos momentos de alegria.

O pequeno espaço em frente à Rua Tapuias tem projeto em forma de barco, criado pelo respeitado arquiteto Marcio Franco da Cruz, para homenagear o jornalista. O desenho foi entregue à Secretaria de Urbanismo na gestão Axel Grael, mas até hoje não saiu da gaveta.

Que a estátua de Leila Diniz inspire liberdade, e que o Espaço Ricardo Boechat receba, enfim, o reconhecimento que merece. Niterói precisa valorizar aqueles que a projetaram para muito além das suas fronteiras — e poucos fizeram isso com tanta paixão quanto Boechat.

Gilson Monteiro

Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.

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