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Pela reabertura urgente da emergência do Antonio Pedro, em Niterói

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A mais importante e principal parceria que a Prefeitura de Niterói deveria fazer com a Universidade Federal Fluminense (UFF) seria para a reabertura da emergência do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP). Com o fechamento, há anos, do tradicional pronto-socorro, os niteroienses ficaram à mercê do mau atendimento do Carlos Tortelly, um hospital municipal que, apesar dos esforços de médicos e enfermeiros, sofre com a falta de tudo, como acontece nas demais unidades da rede da Fundação Municipal de Saúde.

Parceria da Prefeitura de Niterói com a UFF deveria ser para a reabertura do pronto-socorro do HUAP

No entanto, fazendo o que melhor sabe fazer, Rodrigo Neves, hoje secretário executivo da Prefeitura de Niterói, já arrumou um jeito de aparecer no noticiário. Trouxe à cidade Carlos Lupi, ministro da Previdência, para prometer entregar à UFF um terreno do INSS ao lado do Antonio Pedro, para o hospital se expandir. O caso é que, além de tudo não passar de conversa fiada, sem nada no papel, a UFF já comprara esse imóvel há mais de dez anos, mas não conseguiu quitar o preço total diante do aperto financeiro que seus reitores dizem ter passado a enfrentar.

Saindo do terreno do trololó e das promessas marqueteiras, a questão é que a reabertura da urgência do HUAP se faz premente e urgente, porque muita gente está se desligando dos planos de saúde por não suportarem pagar mensalidades inviáveis sem comprometer o orçamento familiar. Em caso de socorro urgente contam somente com os hospitais estaduais Azevedo Lima, no Fonseca, e Alberto Torres, em São Gonçalo.

O HUAP até precisa de uma expansão física, mas para reabrir seu pronto-socorro à cidade já conta com um corpo médico de alto nível. E dispõe de suporte de enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos para dar um atendimento competente e digno ao niteroiense.

Bastaria reativar o número de leitos, que chegou a 270 mas hoje está reduzido a pouco mais de 100. Outra providência seria a volta das consultas ambulatoriais, que diminuíram drasticamente depois de terem criado um atendimento através do burocrático sistema de regulação.

Outro fator preponderante para o hospital ter ficado estagnado foi a universidade tê-lo entregado à administração da EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares). Esta só se preocupa em pagar altos salários a seus dirigentes, não cumprindo, até hoje, com as mais importantes cláusulas do contrato firmado com a UFF, deixando a desejar até na área de manutenção do HUAP, cujos elevadores quase sempre estão parados ou até desabando no fundo do poço.

O número baixo de cirurgias e a diminuição do atendimento clínico afetou também o aprendizado dos acadêmicos de medicina. Eles estão sendo obrigados a buscar aulas práticas em hospitais particulares ou na deficiente rede pública municipal.

A prefeitura tem jorrado os royalties do petróleo em obras desnecessárias e politiqueiras, sem falar dos shows milionários que promove e a estrondosa verba de publicidade que torra.

O dinheiro precisa ser bem aplicado em benefício dos moradores que pagam um dos mais altos IPTUs do país. A saúde tinha que ser prioridade de todo governante. O HUAP precisa priorizar os seus recursos com obras necessárias e que resultem em melhor atendimento, em vez de gastar com o visual que não resulte na melhoria do atendimento.

Eu prefiro o tempo do hospital com as paredes encardidas, mas com os doutores e professores na emergência, nos centros cirúrgicos, nas enfermarias e nos consultórios salvando vidas e os residentes recebendo uma formação de qualidade para exercer com competência a profissão de Hipócrates.

Pelas inestimáveis lições e aprendizados proporcionados tempos atrás pelo hospital universitário, Niterói se tornou um celeiro de excelentes médicos e referência nacional em algumas especialidades.

Hoje, o hospital só está de braços abertos na figura de Hipócrates esculpida no frontispício do hospital da Marquês do Paraná. Falta espírito público das autoridades. Os tempos são outros, mas ainda resta a esperança de que os médicos voltem a carregar na carteira, como antes faziam, um cartão com o pedido: “Em caso de acidente me leve para a emergência do Hospital Antonio Pedro”.

Gilson Monteiro

Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.

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