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Maricá gasta milhões instalando abrigos de aço em pontos de ônibus da cidade

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Abrigos de aço estão sendo instalados nos pontos de ônibus de Maricá, município praiano da Região Metropolitana do Rio de Janeiro “banhado” por R$ 2,1 bilhões em royalties do petróleo. Por cerca de R$ 15 milhões, a prefeitura está instalando 511 abrigos metálicos, em lugar dos antigos abrigos de madeira com telhas de barro.  O novo mobiliário urbano promete um verão mais quente para os passageiros dos ônibus Tarifa Zero. Já estão sendo comparados pelos usuários a assadeiras de frango, pelo seu formato.

Os abrigos têm quatro assentos e espaço para cadeirante, mas seguem a chamada “arquitetura hostil”, que não permite serem usados como camas pela população de rua. Com estrutura, cobertura e paredes todas em aço, refletem a luz solar com intensidade. Mas oferecem menor conforto térmico do que os feitos de madeira e telhas de barro, como os abrigos mais antigos ainda existentes na cidade.

Desde que encerrou em 2020 a concessão do transporte público com uma empresa privada, Maricá ampliou o número de linhas do programa Tarifa Zero. São 25 linhas de Itaipuaçu a Ponta Negra cobertas pelos vermelhinhos, ônibus da EPT (Empresa Pública de Transportes), uma autarquia municipal de Maricá. A frota da EPT é formada por 52 ônibus, que, segundo a empresa, transportam 21 mil pessoas por dia, de segunda a domingo.

Maricá deverá fechar o caixa de 2021 com cerca de R$ 2,1 bilhões de royalties do petróleo. É o município brasileiro que mais recebe esse tipo de recursos. Os royalties representam cerca de dois terços do orçamento deste ano, que soma R$ 3,345 bilhões, maior valor na história do município. Em 2020, o orçamento foi de R$3,295 bilhões. A previsão para 2022 é novo recorde, com receita de R$ 3.736.743.460,44.

Abrigos seguem arquitetura hostil

Segundo a prefeitura, os abrigos de aço teriam a vantagem de ser mais duráveis do que os de madeira. Estes perdem telhas com a ação dos ventos e os assentos de madeira empenam. O novo mobiliário de metal segue a chamada “arquitetura hostil”. O formato de seus bancos impede que sejam usados como cama por moradores de rua.

Em maio, o município fez uma tomada de preço para a aquisição do mobiliário urbano. Vai pagar R$ 8.248.100,00 por 350 abrigos de aço carbono (cada um sai a R$ 23.566,00) e mais 161 de aço inox por R$ 6.741.875,00 (R$ 41.875,00, cada). Têm 3,5m de comprimento, 2,45m de altura e 1,70m de largura. São vendidos pela Aço Forte de Meriti, situada em Duque de Caxias, adquiridos pelo custo total de R$ 14.989.975,00.

Os abrigos de aço inox estão sendo instalados na orla das praias e lagoas. São mais resistentes à ferrugem e corrosão. Os de aço carbono estão sendo colocados no Centro e em bairros com menor influência da maresia.

Segundo estudo publicado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, de São Paulo, as telhas de barro oferecem maior conforto térmico; em segundo lugar vêm as telhas de alumínio e térmicas; e em terceiro, as telhas de amianto simples, depois as de zinco e, por último, as de fibra de vidro.

As telhas de barro continuam sendo o melhor material a ser utilizado na cobertura de abrigos. A telha de amianto e a de zinco não são recomendadas por serem desconfortantes. Já a telha de fibra de vidro não deve ser usada sob hipótese alguma, por ser extremamente desconfortante. Feita de material translúcido, ela deixa passar muita radiação solar.

Gilberto Fontes

Repórter do cotidiano iniciou na Tribuna da Imprensa, depois atuou nos jornais O Dia, O Fluminense (onde foi chefe de reportagem e editor), Jornal do Brasil e O Globo (como editor da Rio e dos Jornais de Bairro). É autor do livro “50 anos de vida – Uma história de amor” (sobre a Pestalozzi), além de editar livros de outros autores da cidade.

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