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Falida a revitalização do Centro de Niterói

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“Eu acreditei na assinatura do Oscar Niemeyer”, disse uma senhora que investiu suas economias no empreendimento imobiliário que começou a ser vendido pela PDG em Niterói, em 2014. Até hoje, as duas torres de 28 andares, cada, no Caminho Niemeyer ficaram somente no papel,  assim como a revitalização do Centro prometida pelo prefeito Rodrigo Neves, que botava esse empreendimento na conta de seus feitos político-administrativos. A PDG entrou em processo de recuperação judicial esta semana, devendo cerca de R$ 7,8 bilhões a 23 mil credores (a maioria bancos).

Há um ano, a coluna já alertava àqueles que investiam na compra de unidades das Torres Oscar Niemeyer Monumental que “a revitalização do Centro era só conversa”. Fazia quatro anos que a PDG havia lançado o empreendimento que, logo depois, passou a ter como apelo para a garantia de um bom negócio o projeto de revitalização da área central de Niterói, que o prefeito Rodrigo Neves deixou no papel por não conseguir tocar uma Operação Urbana Consorciada com as empresas Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez.

As Torres Oscar Niemeyer deveriam ter 456 salas comerciais, em uma delas, e 293 quartos de um hotel que seria administrado pela Rede Accor. Nas peças publicitárias, a PDG enfatizava a assinatura do arquiteto Oscar Niemeyer no projeto.  Cerca de 30% do empreendimento foi vendido e, agora, os compradores não sabem se vão ter o dinheiro de volta.

Segundo o advogado Renê Freitas, que em novembro conseguiu duas inéditas decisões judiciais para que fossem arrestados das contas da PDG os valores pagos por dois compradores, muitos dos adquirentes se iludiam com a chancela de Niemeyer no projeto, como foi o caso de uma de suas clientes.

— Hoje, com o pedido de recuperação judicial, os compradores podem ficar a ver navios. Os arrestos que conseguimos fazer agora não podem se repetir mais em consequência do prazo dado para a empresa tentar se recuperar. Na ocasião, os  juízes, antes mesmo de ouvirem a PDG, foram direto nas contas da empresa e arrestaram o dinheiro total pago pelo compradores. O que antes se conseguia com dois ou três anos de ação judicial foi possível em apenas uma semana – disse Renê Freitas.

Em Itaboraí, a construtora chegou a entregar o Enterprise Center, mas com a paralisação das obras do Comperj o negócio imobiliário fracassou. Proprietários alugam salas e apartamentos por baixo preço apenas para se livrar das despesas de condomínio e IPTU. A Promenade, que deveria administrar o Enterprise Flat, com 220 suítes, desistiu do negócio por falta de hóspedes.

Com a decisão judicial que aceitou o pedido de recuperação da PDG, a empresa tem 180 dias para readequar suas dívidas e voltar a cumprir suas obrigações. São 512 empreendimentos imobiliários afetados no país, a maioria no Rio e em São Paulo. A construtora deve R$ 1 bilhão em obras não entregues ou em pagamentos de distratos contratuais, além de R$ 300 milhões a fornecedores e R$ 700 milhões em dívidas trabalhistas.

Gilson Monteiro

Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.

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