Um gaúcho, ícone da educação em Niterói, também precisa ser lembrado neste momento em que se celebram os 120 anos da presença lassalista no Brasil. Silvino José Fritzen, o Irmão Amadeu, dirigiu o Colégio La Salle-Abel por nada menos que 58 anos, sendo responsável direto pela formação de mais de 40 mil jovens.
Por onde passava na cidade, era invariável: alguém surgia para apertar suas mãos, abraçá-lo ou simplesmente acenar com um sorriso de alegria. Era o reconhecimento espontâneo de gerações que tiveram suas vidas impactadas por sua dedicação.
Sua trajetória em Niterói começou quando chegou para dirigir o Instituto Abel, que há 71 anos se instalava na Avenida Roberto Silveira. Com carisma e determinação, conseguiu a doação do terreno junto ao Governo do Estado, viabilizou recursos para as obras e, talvez o mais importante, consolidou uma referência de excelência na área educacional.
Graças ao seu dinamismo, os lassalistas cresceram na cidade. Vieram a aquisição de novas áreas, a ampliação do espaço físico e, ao longo do tempo, a consolidação do complexo educacional que hoje abrange do ensino primário ao universitário. Tudo isso tem a marca do Irmão Amadeu — figura doce, simpática, bondosa, amiga, meiga e dona de uma cultura invejável, que compartilhava generosamente com todos os que tiveram o privilégio de conviver com ele.
Entre os ex-alunos do Abel que se destacaram no Brasil e no exterior estão nomes como Leonardo, campeão da Copa do Mundo de 1994, e a atriz Claudia Ohana. Hoje, o legado se estende também a profissionais de destaque em diversas áreas, como os ortopedistas Márcio Schiefer, Bruno Tebaldi e Fernando Sassaki, ex-alunos do Instituto Abel, que recentemente participaram da cirurgia do meia rubro-negro Giorgian de Arrascaeta.
Desde 1907, os Irmãos Lassalistas caminham ao lado de milhares de estudantes, educadores e famílias, construindo comunidades educativas em diversas regiões do Brasil. É uma história que atravessa gerações e permanece viva em cada missão e obra desenvolvidas.
Ao longo de mais de um século, essa presença criou raízes, formou gerações e se fortaleceu em cada comunidade educativa e religiosa, graças ao trabalho conjunto de Irmãos, educadores, estudantes, famílias e colaboradores.
Entre os lassalistas, o Irmão Amadeu era, para muitos, mais do que um educador. Era um pai, conselheiro e amigo. Alguém em quem os alunos confiavam plenamente, compartilhando dificuldades e dúvidas, e de quem recebiam, em troca, conselhos sábios que levavam para toda a vida. Graças às bolsas de estudo viabilizadas por ele, muitos puderam concluir sua formação e construir trajetórias de sucesso.
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