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Bicicleta ameaça ônibus, diz vereador

Escrito por Luiz Antonio Mello às 08:34 do dia 13 de abril de 2019
Sobre: Transporte
13abr
“Liberdade de imprensa é o direito de dizer às pessoas o que elas não querem ouvir.” – George Orwell (1903-1950), escritor, jornalista e ensaísta político inglês.

Com muito barulho na mídia – com direito a passeios do sempre sorridente prefeito de bicicleta pela cidade, esfuziantemente fotografado pela imprensa – , em 2013 a prefeitura criou o programa “Niterói de Bicicleta” visando fazer uma revolução no meio de transporte que virou prioridade nas mais civilizadas cidades do mundo.

Tudo começou relativamente bem. Foram feitas algumas ciclovias e ciclofaixas, boa parte da população acreditou na ideia e passou a usar a bicicleta para o trabalho e lazer. A política oficial de incentivo e apoio ao transporte cicloviário evoluía mas aparentemente foi largada. As ciclofaixas não tiveram manutenção, ganharam buracos, as faixas e placas de sinalização sumiram e, é natural, os ciclistas estão revoltados. Apelidado de “ciclo farsa”, “Niterói de Bicicleta” foi um voo de galinha, baixo, escandaloso e curto.

Em seu site (https://bit.ly/2Vx5t2S)  “Niterói de Bicicleta” informa que a cidade conta com aproximadamente 35 quilômetros de malha cicloviária: “Até o final de 2020, está programado o aumento desta malha, totalizando 60 quilômetros de ciclovias, ciclofaixas e ciclorotas distribuídas entre as diversas regiões da cidade, interligadas entre si, e a pontos de conexão com outros modais de transporte.” Um conceito filosoficamente fofo mas até agora inexistente.

O coletivo Pedal Sonoro, um dos mais representativos do país, é o maior da cidade. Conheça: https://bit.ly/2UL77kr . O grupo mantém uma rádio que mistura ótimas músicas com entrevistas, debates, reflexões sobre bicicletas. Ouça: www.radio.pedalsonoro.com.br.

  Domingo, a rádio entrou ao vivo do Campo de São Bento abordando vários assuntos. O experiente e atuante vereador Paulo Eduardo Gomes (PSOL), que é também ciclista, esteve lá e, em entrevista, disse que “bicicletas não interessam a prefeitura porque nenhum transporte alternativo que ameace o poderio das empresas de ônibus vai sobreviver. Há anos, prefeitura e empresários de transportes coletivos andam de mãos dadas, uma simbiose indestrutível que é um cancro para a cidade”.

Paulo Eduardo Gomes comentou que o último projeto sério voltado para o transporte na cidade que tivemos foi o Plano de Integração do Transporte feito pelo prefeito João Sampaio (1941-2011) que o entregou pronto no final do seu mandado, em 1996. “Nada foi feito, nada”, lembra Paulo Eduardo Gomes. “Pegaram o projeto do João Sampaio e jogaram na gaveta, como fizeram também com a atualização dele feita por Jayme Lerner”.

Apesar da omissão das autoridades, muita gente que não suporta mais padecer no trânsito caótico está optando pela bicicleta, enfrentando com coragem situações bizarras como é o caso da ciclofaixa da avenida Roberto Silveira que, inexplicavelmente, termina na Miguel de Frias, no meio do percurso até o Centro.

Até a Amaral Peixoto, onde há outra ciclofaixa, o ciclista tem que se virar jogado a própria sorte na selva da Marques do Paraná, obrigado a subir na calçada várias vezes para não ser atropelado. 

Durante a semana postei uma enquete em minha página no Facebook onde perguntei: – Você pensa em adquirir uma bicicleta?; – Se estiver pensando é para uso prioritário no lazer ou no trabalho/escola, etc?; – O que te atrai na bicicleta?; – O que repulsa na bicicleta?

As respostas:

Marcos Aarão Reis Sim. Lazer. Mobilidade. Risco no trânsito.

Bete Babo Eu tinha quando morava aí, mas sabe que a roubaram dentro da minha casa, em São Francisco ? Pra você ver.

Selma Boiron Comigo, idem! Ganhei uma de presente, roubaram de novo…

Ana Tavares Sempre tive bicicleta. Quando foi possível, fui trabalhar de bike. Hoje uso para exercícios e para me locomover. Amo o ventinho no rosto e acredito que pedalar me faz muito bem, física e mentalmente.

Ricardo Siqueira Mariana Nozaka Uso bicicleta como meio de tudo tem uns 40 anos… Sensação de liberdade urbana maior não existe.

Paulo André Netto Barbosa Eu adoro bikes, pratico no dia a dia e como esporte também, lógico com uma playlist musical bem selecionada

Fernanda Gonçalves Ribeiro Amo bicicleta. Andei muito de ¨camelinho ¨ora, carregando; ora sendo carregada, pela prima Beth Cruz.  E a gente ainda ia em pé…hahaha.

Leonardo Guedes Item por item:
– Já tenho.
– Uso com frequência para todos os fins.
– Exercício físico, economia financeira e consciência ambiental.
– Ciclistas que trafegam em sentido contrário sem pelo menos tocar a campainha.

Natália Reis Quero muito uma bicicleta! – seria mais para lazer, e para curtas distâncias – amo sentir o vento, a sensação de liberdade que tenho quando ando de bike – o que me repulsa são os motoristas de ônibus e carros que não respeitam muito as bicicletas.

Carina Nunes Uso bike como meio de transporte e de exercício desde criança. Sempre tive uma bike.

Marcello Rangel A sensação da liberdade de Direção, mas tenho medo de morrer atropelado.

Guilherme Scarpa Uso a do Itaú pra lazer/exercício. Hoje em dia acho que não vale a pena comprar.

Carmem Polycarpo Sempre tive para lazer e exercício físico.

Caíque Fellows Não. Não pretendo ter uma bicicleta. Embora não dirija mais, na Região Oceânica, onde moro, é perigoso andar na estrada e inseguro nas ruas interiores. O nosso país não tem, nas grandes cidades, uma cultura de bicicleta, como Xanghai ou Amsterdam. Nem cultura nem respeito por parte dos motoristas. Prefiro andar a pé.
Paulo Henrique Leite Uso pra locomoção. Moro no Ingá e vou a Icaraí, Santa Rosa, Gragoatá, Boa Viagem e as vezes até o Centro. Sinto como se estivesse passeando. As vezes sinto que vou ser atropelado por trás.

Graziela Vieira 1) Eu tenho uma bike. 2) Para lazer e pequenos afazeres. 3) me atrai a praticidade. Locomoção rápida e estacionamento rápido.… 4) As grandes distâncias são um empecilho. Mas estou estudando fazer uma adaptação na minha bike para torná-la uma elétrica com acionamento por pedal. Outro empecilho, segurança.

Simone Garrafiel Bicicleta é meu carro. Ando por Niterói toda com ela. Mobilidade fácil e rápida. Uma pena que ainda temos poucos bicicletários pela cidade, mas nada que os postes não ajudem.

Jane Lapa Já adquiri. O que me atrai além da mobilidade é o exercício prazeroso de pedalar. O que me apavora é o trânsito e a agressividade de motoristas que não respeitam os ciclistas.

Adriana Ninsk Aqui em casa todos temos. O marido usa mais do que todos por ser mais corajoso pois para mim um grande problema é a falta de ciclovias apropriadas.

Gabriela Zug Adoro mas aqui no Rio tenho medo de andar.

Marcelo Scobino Antes de operar o quadril eu pedalava para trabalhar. Era fantástico. Mas são muitas as situações de risco em Niterói. Trânsito pouco confiável. Faltam ciclovias de verdade numa cidade vocacionada para a vida sobre as bikes

Christina Fuscaldo Não consigo pedalar direito. Principalmente por causa do calor constante que eu sinto mesmo no inverno e da posição da coluna (saio cheia de dor). Mas experimentei o patinete elétrico nos meses que passei nos EUA e amei. Menos esforço, mas agilidade e mesma energia positiva.

Ana Cristina Mattos Já tenho. Uso para trabalhar em Niterói. Como estou agora no Rio e as distâncias são maiores, penso em adquirir uma elétrica.

Wagner Alfradique Sempre tive; NADA me repulsa…

Maria Panait  Nunca aprendi a andar de bicicleta e esse sempre foi um desejo que o medo de cair me impediu de realizar. Mas já tive muitos sonhos em que eu estava pilotando uma bicicleta e percorria muitos lugares legais; eu me sentia livre.

 

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# Impressionante a quantidade de traficantes que a polícia está prendendo na Região Oceânica. A maioria veio do Rio.

# Aliás, a R.O. está sem guarda municipal, se é que isso faz alguma diferença.

# Semana de intensa atividade na Pedra de Itapuca e arredores. Dezenas de pessoas catavam mexilhões para vender. É bom lembrar que o mar ali é muito poluído e o mexilhão é um gari do mar que ele absorve a poluição (principalmente química) e, depois, repassa para quem come.

# A juíza Diana Vanderlei, da 5ª Vara Federal em Brasília, proibiu a retirada de radares de velocidade das rodovias federais de todo o país. Ela também determinou que seja realizada a renovação dos contratos do Programa Nacional de Controle Eletrônico de Velocidade por mais 60 dias.  

# Bandidos atiraram em um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal no bairro Jardim Bom Retiro, em São Gonçalo. Equipes da PRF foram recuperar dois carros roubados e ao se aproximarem dos veículos foram recebidos a tiros.

# A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou o porte de armas para deputados estaduais e agentes do sistema socioeducativo (Degase). Armas liberadas também a Polícia Legislativa e auditores fiscais estaduais e municipais.

#A chuva provocou um prejuízo de R$ 182,8 milhões ao comércio carioca, segundo uma pesquisa da Fecomércio RJ.

# Uma pesquisa do Ministério da Saúde indica que 53% da população brasileira estão com excesso de peso e 45,8% praticam uma atividade física insuficiente. 

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Luiz Antonio Mello
Luiz Antonio Mello
Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.
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3 thoughts on “Bicicleta ameaça ônibus, diz vereador

  1. Amo bicicleta mas não tenho coragem de andar nesse trânsito de Niterói,,onde ninguém respeita ninguém ;com as devidas exceções.Uma pena!!!!

  2. Ciclista tbm tem que respeitar os pedestres para no sinal e olha para os lados pois muitos não fazem isso. Amo pedalar hj não posso tanto mas uns tepos atraz rodava a região oceânica toda

  3. Faixa de ciclovia do lado direito, onde existem linhas de ônibus, só mesmo em Niterói… Ex. Rua Presidente Pedreira no Ingá, pessoas sendo atropeladas ao descer de ônibus…

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