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A face desumana de Niterói

Escrito por Luiz Antonio Mello às 08:15 do dia 13 de março de 2021
Sobre: A invasão das calçadas
  • calçadas de Niterói
13mar

calçadas de Niterói

Durante esta semana quase fui atropelado duas vezes por bicicletas na calçada, e na contramão. Um fazia delivery e o ciclista pediu desculpas alegando que por culpa da pandemia…blá, blá, blá. O outro estava de calção, camiseta, fez carinha de nojo, nem se desculpou e seguiu fazendo lambança, impune.

Tenho ouvido muitas reclamações sobre bandalhas de bicicletas e motos nas calçadas, mas a sensação é que as pessoas cansaram de se manifestar.

Além de ser atropelada (acidente com bicicletas em geral são graves) em caso de necessidade a vítima sem plano de saúde talvez precise de uma ambulância do Samu e de uma vaga no sobrecarregado e heroico Hospital Estadual Azevedo Lima já que a rede municipal não atende trauma. Ou seja, o cidadão atropelado pesará ainda mais o sistema de saúde saturado pela Covid 19 e deve rezar para não contrair a doença lá dentro.

Cada vez mais as calçadas vão sumindo de Niterói. Na rua da Conceição, por exemplo, muita gente anda na rua, junto ao meio fio, porque além das calçadas estreitas (parecem pinguelas) há o risco das marquises, muitas delas podres. Em bairros da zona sul alguns empistolados supermercados fizeram puxadinhos, aliás, puxadões, que tomam boa parte da calçada transformada em estacionamentos de carrinhos.

Tenho a impressão que esses puxadões já viraram mais valia, acabaram anexados ao patrimônio das empresas como aquela mamata chamada “incorporação” de gratificações anexadas a salários que jogam as aposentadorias nas alturas, privilégio de funcionários públicos estatutários.

Mas, verdade seja dita, calçadas não são responsabilidade da prefeitura e sim dos cidadãos, diz a Lei. Além do mais, Icaraí, São Francisco, Ingá, Santa Rosa, sob a ótica da política moderna são bairros de classe média e média alta que demandam poucas necessidades. Além do mais a zona sul dá pouco voto.

As pessoas colocam verdadeiros manilhões nas calçadas, fantasiados de vasos de planta para defenderem o que é delas. Carrinhos de supermercado, vasos de planta gigantes, canos, bicicletas pra lá e pra cá parece que são problemas do cidadão e não da prefeitura. Cadeirantes, carrinhos de bebê que tratem de andar pela rua, “na minha calçada, não”.

Iludidos pensam que um guarda municipal pode mandar um ciclista descer da calçada. Errado. A Lei diz que guardas municipais servem para cuidar do patrimônio público e calçadas não são da prefeitura e ser humano não é patrimônio.

Mesmo assim, basta olhar, não há guardas municipais suficientes em ruas como a Tavares de Macedo (entre Miguel de Frias e Presidente Backer), ou Mem de Sá, ou Pereira da Silva.

Pela lógica o cidadão deveria procurar o seu vereador e fazer a reclamação. Existem 21 vereadores pagos por nós que trabalham de segunda a sexta das 18 as 21 horas e, em tese, entre as suas atribuições está a de receber os cidadãos, mesmo os que moram em áreas com poucos votos, “pouca capilaridade”, diz o jargão da política.

E se as coisas estão divinas e maravilhosas, o cidadão poderia marcar uma audiência com o Secretário Regional do seu bairro. São 14 Administrações Regionais (com status de secretaria) que, em tese, deveriam encaminhar os nossos problemas, digo, nossas demandas segundo o jargão da política.

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Luiz Antonio Mello
Luiz Antonio Mello
Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.
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8 thoughts on “A face desumana de Niterói

  1. QUANDO CONSEGUIR TESTEMUNHAR OCORRÊNCIAS IDOSOS…vai se sentir pior. Idosos cada vez mais preocupados com bicicletas nas calçadas e aind mais na contra mão do fluxo de trânsito .. O Conselho municipal dos Direitos e Proteção da Pessoa Idosa de Niterói está congestionado de reclamações sobre riscos que os ciclistas errados oferecem aos idosos, bem as abandonadas calçadas promovendo quedas na população idosa, sem visibilidade e abandonada pelas políticas públicas.

  2. Só li verdades, o pedestre é o ultimo a ter direitos. Esses ciclistas e motoqueiros se acham os donos das ruas, não respeitam mão e contra-mao, os sinais de trânsito e nem os pedestres.

  3. Gostaria de entender sua colocação( comparação), ou que o sr. Levou à fazer tal comentário em sua materia, onde o mesmo relata a seguinte frase:
    “…o outro de calção,camiseta,fez cara de nojo,nem se desculpou e seguiu fazendo lambança, impune como um escoteiro”.
    Já que o mesmo se acha o dom da palavra e teve a brilhante ideia de fazer essa comparação, penso que, deve conhecer muito do nosso Estatuto, do nosso P.O.R, deve ser membro eleito do CAN ou da DEN.
    Nós do M.E, aguardamos um esclarecimento plausivo desse comentário.
    Afinal o mesmo como relatei acima, tem td conhecimento para nos dar essa explicação, aguardamos sua colocação…
    Afinal, somos uma instituição com mais de 100 anos de fundação so aqui no Brasil e em tds os Países. Temos, respeitos por tds os orgãos Federais, Estaduais, Municipais, que seguimos regulamentos, estatutos e o P.O.R, e fora a Constituição Brasileira, acho que o cavalheiro foi de gde delicadeza desrespeitoso conosco…..
    Caso o mesmo queira conhecer sobre o M.E entre no site http://www.escoteiros.org.br e lá conhecerá nossa Instituição, nossos Meritos, reconhecimentos, o que fazemos, o que somos, quais as nossas práticas, nossos objetivos, nosso Método, etc……

    1. Senhores,
      Peço desculpas pela equivocada e infeliz citação que fiz, já devidamente suprimida. A intenção era escrever “com a dignidade de um escoteiro”, mas não foi o que, desastradamente, fiz.
      Os escoteiros brasileiros merecem reconhecimento, respeito, por seu altruísmo e dignidade. Exemplos como o de Caio Martins deveriam ser cada vez mais citados e valorizados.
      Mais uma vez peço desculpas.
      Atenciosamente,
      Luiz Antonio Mello

  4. Vc precisa se informar melhor sobre funcionário público estatutário , saiba q a maioria recebe baixos salários e não se aposenta com salário integral, diferente do q acontece no judiciário, refaça seu comentário por favor.

  5. Concordo com tudo que descreveu, mas esqueceu de dar ênfase aos veículos que usam as calçadas para o estacionamento. Principalmente, defronte as escolas da nossa cidade.

    1. Boa gostei! Se ñ colocarem nada os carros fazem de estacionamento.
      É tem mais, mercados e bares com cadeiras tomando a CALÇADA.
      E o cidadão que paga os impostos caríssimos perdem seus DIREITO!

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