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Rua de Pendotiba homenageia zé ninguém

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Existe em Pendotiba uma rua chamada Doutor José Fontenele, antiga rua D do loteamento Vila Remanso Verde. Circunstância curiosa, insólita e inconcebível cerca a denominação dessa rua, que continua cadastrada na Secretaria Municipal de Obras e Urbanismo, embora homenageie uma personalidade que jamais existiu. Lá vai a história.

O vereador Armando Barcelos propôs em 19 de agosto de 1974 que passasse a se chamar “Dr. José Fontenele” a rua F do Loteamento Remanso Verde. Em ofício de 18 de novembro, o prefeito Ivan de Barros, meio paulista e meio marciano, como dizia Carlos Couto, solicitou os dados biográficos que justificassem a homenagem, cumprindo o que determinava a deliberação de 16 de julho de 1973.

Armando apresentou um currículo de quem ele julgava ser o “Dr. José Fontenele”. A Câmara assinou embaixo, em 16 de julho de 1975, e o prefeito Ronaldo Fabrício jamegou a lei que oficializou a homenagem, em 8 de agosto de 1975. Só que os dados anexados pelo saudoso Armando não eram de nenhum José Fontenele, mas do Dr. Fontenele Teixeira da Silva, médico ilustre e membro da Academia Fluminense de Medicina.

Dez anos se passaram. Em 15 de fevereiro de 1984, um ofício do prefeito Waldenir de Bragança pedia permissão da Câmara para transferir a homenagem ao “Dr. José Fontenele” para a rua D, já que pretendia dar à rua F o nome do professor José Peçanha, médico também. Por um motivo muito justo: nessa rua F morava o bom e insubstituível Olímpio Peçanha, filho do Dr. José, que a exemplo dele também se foi mais cedo do que devia.

Em mensagem de 26 de março do mesmo ano Waldenir reitera o pedido, justificando que não haveria prejuízo da homenagem prestada ao “Dr. José Fontenele, cujo nome honrado” se transferia para a rua D. As comissões de Justiça e Viação não só aceitaram a justificativa, em parecer de 8 de maio de 1984, como também fizeram questão de se incorporar “às homenagens póstumas que ora se prestam a esses dois médicos que muito deram à nossa cidade”.

E assim se fez, sendo o preito de gratidão ao honrado, mas inexistente médico sacramentado por lei de 22 de maio de 1984. Fontenele Teixeira da Silva foi cinco meses mais tarde homenageado em outra rua, no loteamento Bairro Piratininga.

Gilson Monteiro

Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.

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