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Praias de Niterói viraram cloacas. ‘Despoluição’ da Baía torrou R$ 7,5 bi para nada

Escrito por Luiz Antonio Mello às 08:32 do dia 9 de janeiro de 2021
Sobre: Dinheiro no lixo
  • praia poluída
09jan

praia poluída“Como é difícil ser cidadão”. O desabafo do bancário Carlos Luiz Monteiro, em seu primeiro dia de férias, vendo o esgoto que tomava toda a Praia de Icaraí junto ao mar, ilustra bem a indignação.

Ao longo do dia os garis da Clin fazem várias limpezas, utilizando, inclusive, um trator, mas a imundície continua porque o esgoto vem do mar, trazido do fundo da Baía de Guanabara pelas correntes.

Boa Viagem, Flechas, Icaraí, São Francisco, Charitas, Jurujuba, todas as praias da Baía de Guanabara viraram caixa de gordura porque o mar imundo devolve todo o esgoto despejado em quantidades impressionantes.

Em fevereiro de 2020 o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG) completou 25 anos de existência. Foram enterrados na “obra” R$ 7,5 bilhões42, valor atualizado pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, mas nada mudou. Sofás, pneus, garrafas pet, muitos animais mortos o mar devolve tudo o que jogam nele. Segundo os especialistas, por segundo são despejados 18 mil litros de esgoto sem tratamento na Baía.

O biólogo Mário Moscatelli abriu o jogo no Jornal da Globo:

– Na verdade a Baía de Guanabara é uma latrina. Os sistemas de drenagem, são valões de esgoto. Em pleno século 21 não temos ainda uma resposta para a questão do saneamento, que é uma chaga ambiental do século 19.

O co-fundador do Instituto Baía Viva, Sérgio Ricardo, falou do desleixo:

– O entorno da Baía de Guanabara virou um cemitério de obras inacabadas. Um terço de todo o esgoto despejado já poderia estar sendo tratado há mais de 15 anos.

Para agravar a situação, o governo do estado não suportou tanta roubalheira, por tantos anos seguidos e foi à falência.

Há solução?

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Luiz Antonio Mello
Luiz Antonio Mello
Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.
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2 thoughts on “Praias de Niterói viraram cloacas. ‘Despoluição’ da Baía torrou R$ 7,5 bi para nada

  1. Soluções existem, recursos financeiros e conhecimento técnico também. O que falta, e muito, é vontade política de todos. Não acho que a solução de nossos problemas dependa de um único administrador público e seu quadro de secretários, grupo que aliás pode ser retirado da administração a cada quatro anos. Expressar indignação na internet mas não mudar hábitos diários e não tomar atitudes concretas, que inclui organização, engajamento e atuação constantes, certamente não trará resultados concretos nenhum.

    A baía é essa imundice há décadas. Se realmente estivéssemos preocupados com o problema e quiséssemos resolvê-lo, já teríamos feito algo. Nossa lerdeza e inoperância em relação às questões públicas e nossas prioridades máximas em relação às questões individuais revelam com muita clareza quem de fato somos e o que de fato queremos.

  2. Isso é muito decepcionante .
    É vergonhoso.
    Em pleno século 21. e agora entramos na década dos OCEANOS.
    Então das barbaridades dos anos de 1600 , 1700. 1800 e até 1900 para os dias atuais nada mudou , já que nesses anos os cidadãos jogavam das suas janelas para ruas para calçadas e rios todas as porcarias feitas em suas residências.
    NÃO EVOLUÍMOS EM NADA .

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