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Nepotismo em Niterói: famílias inteiras ocupam cargos de alto escalão

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Organograma do esquema de nepotismo da Secretaria de Administração de Niterói — Foto: Reprodução/TV Globo

É uma vergonha o nepotismo em Niterói. É preciso dar um basta na farra do dinheiro público que acontece na prefeitura que torra boa parte da arrecadação municipal – que ultrapassa os R$ 6 bilhões – nomeando famílias inteiras para cargos comissionados nas 66 Secretarias e órgãos criados, ao que tudo indica, com fins eleitoreiros.

Agora a TV Globo aponta mais um escândalo em Niterói, desta vez envolvendo a Secretaria de Administração. O subsecretário Marcelo Rodrigues Alves da Cunha, com salário de R$ 16.131,00, conseguiu nomear a irmã Samantha Rodrigues como assessora, recebendo R$ 7.727,00; o ex-cunhado Fernando Andrade Conhasca, diretor, com R$ 7.727,00; o sobrinho Fernando Andrade Conhasca Filho, assessor, com R$ 7.822,00, a mãe Áurea Regina Rodrigues, assessora, com R$ 2.547,00; e a esposa Danielle Cristine Ferreira de Almeida, assessora especial, com R$ 5.733,00

O grupo de parentes custa aos cofres municipais o total mensal de R$ 47.687,00, sendo que a maioria deles só tem o trabalho de ir ao final do mês pegar a grana do bom salário nos caixas eletrônicos.

Quando essas imoralidades vêm a público pela TV Globo, o prefeito Axel Grael, que desde  quando assumiu o cargo divide o governo com o ex-prefeito Rodrigo Neves, vem com a cara de quem está velejando na enseada de São Francisco dizer que não sabia de nada e que vai tomar as providências, embora todos os atos sejam assinados por ele.

Dessa vez até que exonerou no dia seguinte os seis marajás apontados pelo RJTV, que já havia denunciado as irregularidades da Emusa, que tinha em sua folha de pagamento cerca de 1.200 fantasmas.

A reportagem da Globo apontara também as nomeações de membros da família de Rodrigo Neves para cargos comissionados, dentre eles a mulher Fernanda Sixel Neves, como subsecretária de Assistência Social, recebendo R$ 16.131,00; o filho Carlos Eduardo Sixel Barreto, consultor, com R$ 7.822,00, e a irmã Adriana Neves Barreto, subsecretária de Ciência e Inovação, com R$ 16.131,00.

Depois Axel Grael nomeou o ex-prefeito secretário executivo, com R$ 18.669,47 de salário. Rodrigo já pediu exoneração para poder candidatar-se mais uma vez a prefeito.

Não pode continuar esse esquema perverso que vem funcionando há anos em Niterói, compartilhado com a maioria dos partidos políticos e vereadores da base de sustentação do governo.

O recheado bolo é dividido com nomeações em mais de seis dezenas de órgãos do primeiro escalão e empresas públicas, cuja maioria sequer dispõe da mínima estrutura física e administrativa para funcionar. São de fato um enorme cabide de emprego para os mais de 10 mil comissionados.

Enquanto isso, a dupla que comanda Niterói – Axel Grael/Rodrigo Neves – deixa de repassar verbas para a Educação, onde faltam professores, pessoal de apoio e até gás nas cozinhas das escolas obrigadas a dispensar seus alunos mais cedo por falta da merenda.

O vergonhoso é que a educação sempre foi a bandeira prioritária de Brizola e Darcy Ribeiro, fundadores do PDT, partido que hoje abriga Grael e Rodrigo, que nos últimos 12 anos na prefeitura de Niterói já passaram pelo PT e pelo PV.

Na Saúde, o sofrimento de sempre. Os doentes não encontram atendimento no Médico de Família, em postos de saúde e hospitais. Faltam doutores, pessoal da área de enfermagem e até medicamentos essenciais. Os 40 % da população que não têm plano de saúde são obrigados a recorrer aos hospitais estaduais Azevedo Lima, no Fonseca, e Alberto Torres, em São Gonçalo, ou ao federal Antônio Pedro.

Só resta pedir socorro a São João, padroeiro da cidade, para que hoje no seu Dia ilumine os promotores de Justiça e os juízes, a fim de que deem celeridade nos processos envolvendo a má-administração e malversação do dinheiro púbico que sacrifica ainda mais os contribuintes e moradores de Niterói, penalizados por um dos mais caros IPTUs do Brasil e as mais caras passagens de ônibus por quilometragem rodada.

Gilson Monteiro

Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.

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