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HUAP faz 75 anos enquanto Niterói aguarda reabertura do seu pronto-socorro

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Nas bodas de diamante do Antonio Pedro, Niterói lembra da fase áurea do hospital, símbolo de excelência médica

Uma data que merece destaque pela sua importância na área da saúde é a dos 75 anos do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP), completados na quinta-feira (15). Ao comemorar o aniversário da instituição que carrega a missão primordial de tratar e cuidar das pessoas com carinho, dedicação e dignidade, moradores de Niterói retomam o debate sobre a necessidade urgente de ser ampliado o atendimento de emergência na cidade.

O hospital viveu sua fase áurea como símbolo de excelência médica e referência nacional em atendimento de urgência. O HUAP não era apenas um hospital que atendia todo o antigo Estado do Rio de Janeiro; era também a maior escola de aprendizado para futuros médicos da UFF e de outras universidades — um espaço onde conhecimento e prática se encontravam, salvando vidas diariamente.

Por seus corredores passaram grandes médicos, verdadeiros orgulhos para a população e para os estudantes de medicina da UFF, que realizavam internato e residência sob orientação de mestres conceituados da medicina brasileira. O HUAP foi o anjo da guarda não só de Niterói, mas também de São Gonçalo, Maricá, Itaboraí e diversos municípios que viam nele sua tábua de salvação.

Houve um tempo que os próprios médicos carregavam nos bolsos uma recomendação: “Em caso de emergência, leve-me para o Antônio Pedro.”

Desde sua inauguração pela Prefeitura de Niterói, em 1951, o hospital enfrentou momentos difíceis. Recebeu o nome em homenagem ao clínico geral Antônio Pedro Pimentel, um dos fundadores da Faculdade Fluminense de Medicina, que se destacou no estudo das doenças infecciosas. Em 1957, por falta de recursos, a Prefeitura precisou fechar suas portas.

Quatro anos depois, em 1961, o hospital foi reaberto às pressas por médicos niteroienses, pelo renomado cirurgião plástico Ivo Pitanguy e por estudantes e voluntários, para socorrer as vítimas da tragédia do Gran Circo Norte-Americano, salvando muitas vidas. Menos de um ano depois, foi novamente desativado por falta de recursos. Graças à mobilização de estudantes, médicos e professores, o prédio foi cedido à Universidade Federal Fluminense, que assumiu a responsabilidade de manter a emergência e o pronto-socorro abertos.

Infelizmente, esse compromisso não foi cumprido. A UFF manteve o pronto-socorro fechado, passando a atender pacientes apenas por meio da rede referenciada. Com isso, as emergência ficaram restritas aos hospitais estaduais Azevedo Lima, no Fonseca, e Alberto Torres, no Colubandê (São Gonçalo).

Com a entrada da EBSERH na administração do HUAP, em 2016, surgiu a expectativa de que o pronto-socorro seria reaberto, mas o que seria um compromisso dessa empresa pública vinculada ao Ministério da Educação, não se cumpriu.

Agora, no ano das Bodas de Diamante do HUAP, é fundamental que haja uma parceria entre a UFF e a Prefeitura de Niterói para devolver à população esse serviço essencial, especialmente em um momento em que muitas pessoas estão deixando os planos de saúde por falta de recursos.

Gilson Monteiro

Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.

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