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Coluna do LAM

Como celebrar o Dia do Meio Ambiente?

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Terça feira, dia 5, é Dia Mundial do Meio Ambiente. Foi criado durante a Conferência de Estocolmo, organizada pela ONU em 1972 para “estimular mudanças de atitudes e conscientizar globalmente a respeito do meio ambiente”.

Segundo a ONU, qualquer atitude serve como celebração: “plantar uma árvore, fazer um mutirão de limpeza de florestas ou das praias, promover campanhas de reciclagem, reutilizar objetos criando novos, reunir pessoas para repensar suas atitudes, entre muitas outras coisas.”

Seria ótimo comemorarmos aqui em Niterói, mas seria hipocrisia, quem sabe, cinismo ou deboche. Ironicamente a partir de 1974, dois anos depois da data criada pela ONU, com a inauguração da ponte Rio-Niterói, a cidade foi invadida, tomada e estraçalhada pela especulação imobiliária. Como se não bastasse, um ano depois, em 75, Niterói perdeu a condição de capital do Estado do Rio com a fusão RJ-Guanabara imposta pela ditadura militar.

De lá para cá a cidade foi deformada. Como comemorar o dia 5 de junho olhando para o cadáver das lagoas de Itaipu e Piratininga, cuja morte anunciada se arrasta lentamente desde o início dos anos 70? Como comemorar o meio ambiente assistindo a depredação de bairros como Charitas, engolido pela especulação, por São Francisco, que já tem prédios em vias principais (quando irão engolir o miolo do bairro?) e a Região Oceânica que carece de condições mínimas de urbanização?

Meio ambiente não é só capivara, baleia e mico leão. Meio ambiente somos nós também. Icaraí, Santa Rosa, Ingá, Fonseca hoje são um aglomerado de paredões com calçadas estreitas e ocupadas por bancas de jornais, camelôs, e, para piorar, cocô de cachorro em profusão porque a modinha do dono levar papel e limpar passou.

As calçadas são invadidas por motos, bicicletas, triciclos, nas ruas e avenidas o barulho é infernal, a fumaceira sobe, entra nas janelas, contamina. Para piorar, alguns prédios resolveram ocupar mais espaço nas calçadas para colocar cercas de metal gigantescas.

O Centro da cidade é um retrato da desumanidade em estado bruto. Abandonada, a imunda avenida Amaral Peixoto com suas calçadas desniveladas e cheias de buracos, prostituição, decadência, nem lembra que já foi a nossa avenida Presidente Vargas. Hoje é um depósito de miseráveis em busca de uma mínima chance de sobrevivência. Isso também é problema ambiental.

Há quanto tempo não é feito um trabalho sério de reflorestamento na cidade? O que vemos crescer são construções de prédios de luxo, mansões e favelas. É impressionante a velocidade do crescimento, por exemplo, da favela do Preventório, estimulada por políticos adeptos do chamado voto de cabresto.

Há tempos os problemas ambientais se acumulam como lixo, a população padece, tenta reclamar mas a arrogância do poder público finge não ouvir. Além de faltar árvores, faltam lixeiras e asseio básico. Os quiosques da orla de Charitas, Icaraí e Boa Viagem são um enorme desrespeito ao meio ambiente. Imundos, acumulam lixo, ratos, graças a uma inexplicável impunidade. É desleixo ambiental? É.

Como celebrar o Dia do Meio Ambiente numa cidade insana?

Luiz Antonio Mello

Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.

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