
A recente decisão do governador em exercício, Ricardo Couto, de exonerar cerca de 1.500 servidores comissionados que não compareciam ao trabalho foi um passo importante no enfrentamento de distorções históricas da máquina pública fluminense. A medida não apenas corrige abusos, como também sinaliza responsabilidade com o uso dos recursos do Estado.
No entanto, essa ação positiva precisa ser acompanhada de iniciativas concretas em áreas onde a população sente, diariamente, os efeitos da ausência do poder público — e a Segurança Pública é, sem dúvida, uma delas.
A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro enfrenta hoje um déficit de aproximadamente 52% em seu quadro de investigadores, com mais de 8 mil cargos vagos. Trata-se de um número alarmante, que impacta diretamente a capacidade de investigação criminal, o funcionamento das delegacias e o enfrentamento ao crime organizado.
Esse déficit não é apenas estatístico. Ele se reflete em inquéritos acumulados, crimes sem solução, sobrecarga de servidores e insegurança crescente para a população.
O mais preocupante é que o Estado dispõe de uma solução imediata para parte desse problema. Existem 1.177 candidatos aprovados no concurso para investigador de Polícia, que já concluíram todas as etapas do certame, incluindo testes de aptidão física, exames médicos e avaliação psicológica. São homens e mulheres aptos, preparados e legalmente habilitados para assumir suas funções.
O único passo pendente é o ato formal de nomeação. Não se trata, portanto, de abrir um novo concurso ou iniciar um processo longo e custoso, mas simplesmente de aproveitar profissionais que já foram selecionados após um rigoroso processo e que aguardam há meses pela convocação.
Mesmo em uma gestão interina, há decisões capazes de deixar marcas positivas. Assim como foi possível identificar e desligar servidores que não exerciam suas funções, é plenamente viável redirigir esforços para fortalecer a estrutura da segurança pública.
Investir na nomeação de investigadores concursados significa dar condições reais para que o Estado combata o crime com inteligência, presença e eficiência. Mais policiais nas delegacias representam mais investigações concluídas, mais crimes solucionados e mais sensação de segurança para quem vive no Rio de Janeiro. Menos “fantasmas” na folha de pagamento e mais servidores atuando onde o Estado mais precisa não é apenas uma escolha administrativa — é um compromisso com a população.
