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Os desastres ambientais em Niterói

Escrito por Luiz Antonio Mello às 08:24 do dia 11 de janeiro de 2020
Sobre: Até quando?
11jan

Meia hora depois de ter entrado no ar, as 15 horas e 54 minutos da última terça-feira, a matéria denúncia Construtora derruba árvores centenárias na Boa Viagem, em Niterói assumiu o primeiro lugar entre as mais lidas aqui no site Niterói de Verdade, do jornalista Gilson Monteiro. São dezenas de milhares de acessos que não param de crescer, muitos do exterior.

Ao justificar a autorização da desaforada devastação de árvores na Boa Viagem, em outra matéria, de quarta-feira, dia 8, este site informa que “a turma do Verde, ex partido de Rodrigo Neves, liderada pelo secretário de Planejamento Axel Grael, comanda e controla a Secretaria de Meio Ambiente, dirigida por Eurico Toledo. Na nota postada no site da secretaria, ressaltam que “o terreno encontra-se (sic) em uma área particular”. E que o pedido de licença para a construção “teve a aprovação do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), em julho de 2019.

“As licenças ambientais municipais só foram concedidas após a definição das medidas compensatórias, que são a doação para o município de uma área do terreno de 770m² e a implantação de uma praça no local com espécies da Mata Atlântica no paisagismo e equipamentos para área de lazer, além do plantio de 1 mil mudas numa área de 4.650m² no Horto do Barreto, com período de manutenção de três anos. As medidas compensatórias foram amparadas pela resolução SMARHS 01/2017 e o plantio deverá seguir os parâmetros da resolução INEA 143/2017.”

Não é ilegal, mas é imoral.

Os desastres ambientais são uma perversa tradição em Niterói. Desde o final dos anos 1960 as lagoas de Piratininga e Itaipu estão em estado terminal. O jogo de empurra entre governo do estado, prefeitura e governo federal já passa de 40 anos. Rios como o Jacaré e outros córregos na Região Oceânica estão assoreados por causa da ocupação imobiliária livre de suas margens.

Alimentados pelo populismo e pelo misto de falta de respeito e impunidade, os desastres ambientais trazem, também, a ocupação dos morros e outras áreas verdes como atores. As autoridades batem pé, dizem que está tudo sob controle, mas basta olhar e constatar que a expansão é uma realidade.

A escandalosa construção de uma mansão no Morro da Viração, em São Francisco, em 2014, objeto de investigação anunciada pela prefeitura, ignorou as ameaçadas, foi concluída e está lá. Na época o então vice prefeito Axel Grael disse ao Globo que “o que vemos ali é uma obra enorme, acintosa, que provoca um significativo impacto paisagístico. Suspendemos a construção do imóvel e instauramos uma comissão para verificar como foi feito o licenciamento”. Não deu em nada.

Com exceção de Niterói, a questão ambiental mobiliza os governos das principais cidades do país. Um desmatamento como o da Boa Viagem, ocorrido no início da semana, seria inconcebível em qualquer cidade comprometida com a pauta da sustentabilidade, que é mundial. Na melhor das hipóteses faltou sensibilidade as autoridades que autorizaram a derrubada das árvores.

Até quando?

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Luiz Antonio Mello
Luiz Antonio Mello
Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.
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7 thoughts on “Os desastres ambientais em Niterói

  1. Esse (des)governo é um escárneo!!! Só viza interesses próximos na busca incessante de permanecer no poder!

  2. Venham ver o que a Reitoria da UFF está fazendo com as árvores e a vegetação existente na mata nativa, atrás do prédio. Estão arrancando todas as árvores, com uma licença ambiental também concedida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Quais serão as “medidas compensatórias” adotadas pela UFF??? Quem fiscaliza??? Depois que os acidentes acontecem, a culpa é da natureza. VERGONHA!!!

  3. Uma pergunta pertinente é quem se beneficia da liberação de uma determinada área para urbanização/construção. Terras possuem donos; empresas de construção possuem donos. Esses donos são gente de grana, com muita influência política, que transitam pelos bastidores do poder, que financiam políticos e dão presentinhos aos membros do poder judiciário. Quem tem poder manda, faz o que quer, e quem não tem (ou ACHA QUE NÃO TEM) senta e chora. Só vamos mudar esse quadro quando o interesse coletivo estiver acima do interesse privado. Enquanto o parâmetro mais importante entre nós for a prosperidade material, jamais colocaremos o interesse coletivo acima do privado. Quem acredita que a economia deve pautar tudo, está contribuindo para este sistema destrutivo. A única saída é fora deste sistema.

  4. Agora vai vc derrubar uma, só uma, árvore oca que ameaça cair na sua casa. É multa na certa. Hipócritas.

  5. Ainda mais com o agravante das favelas que vem ocupando tudo, pois a municipalidade aceita essa situação pelos votos, advindo do não comprometimento de brecar essa situação. Piora, a cada dia, o aumento de assaltos. Charitas e São Francisco, alvos constantes desses marginais. A população fica à mercê dessa situação, presa em suas casas, com medo. É uma inversão de valores assustadora. Esses meliantes, canalhas que fazem parte do governo, nada fazem para coibir essa situação . Estamos num verdadeiro caos, onde o respeito e civilidade acabaram.

  6. Nessa semana próxima passada foi apresentada na TV uma reportagem de uma construção irregular de um prédio na Muzema. A matéria diz a que a tal obra teria sido embargada em 2018. Logo após a matéria apresenta o mesmo prédio, agora em 2020, concluído e totalmente habitado. No fechamento há uma declaração “A polícia informa que continua investigando”. Brasil, o país da piada pronta.

  7. Na citada obra da encosta do Morro da Viração, o Axel Grael fez até vídeo, dizendo que iria embargar a obra e exigir a derrubada de parte da mesma que estava ilegal. Apenas, jogou para plateia e não deu em nada. Parece que esta obra de São Francisco tb estariam envolvidos os mesmos familiares que agora fazem o empreendimento da Boa Viagem.
    Com a palavra o MPRJ.

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