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Mais uma mortandade de peixes na Lagoa de Piratininga revela descaso total do poder público

Escrito por Luiz Antonio Mello às 08:18 do dia 20 de junho de 2020
Sobre: Degradação
20jun

Mais uma mortandade de peixes aconteceu esta semana na Lagoa de Piratininga, o que confirma mais uma vez o desleixo e abandono daquele importante patrimônio natural de Niterói. A lagoa morre lentamente há décadas sem que o poder público tome providências efetivas. Prefere o oba oba de planos, maquetes e promessas na tentativa de iludir a opinião pública.

Assoreada desde os anos 1970, objeto de cobiça de setores da indústria imobiliária, o lento fim da lagoa levou muitos pescadores a mudar de atividade.

Em seu site, o Instituto Estadual do Ambiente, Inea, confirma que “o processo de degradação foi acelerado nos anos setenta, a partir de 1978, quando um projeto de loteamento conduzido pela Veplan Imobiliária, promoveu total alteração na região. A região marginal sofreu com aterros e construções, perdendo a cobertura original de Restinga, já quase totalmente extinta. Registram-se remanescentes de Manguezal (mangue-siriúba). Atualmente a Lagoa de Piratininga encontra-se impactada por lançamento de esgotos, assoreamento e aterros para expansão imobiliária.”

Apesar da argumentação de um órgão oficial, o gestor do Sistema Lagunar da Prefeitura de Niterói, Luciano Paez, disse ao jornal A Tribuna que na semana passada o elevado aumento da temperatura do ar provocou elevação térmica nas águas da lagoa. Segundo ele “infelizmente é um fenômeno recorrente.”

No início de 2019 parte do túnel que liga a lagoa o mar desmoronou e os sedimentos impedem a renovação da água. Pelo menos 70 famílias vivem da pesca na localidade e, evidentemente, a qualidade da água é fundamental para essa prática.

Para piorar as coisas, reina uma confusão de informações entre a prefeitura e o Inea. Ainda de acordo com A Tribuna, a prefeitura de Niterói já está com edital pronto para licitação de uma empresa para realizar a desobstrução do túnel do Tibau que vai custar R$ 1,3 milhão. A obra vai durar seis meses e não começou por causa da pandemia de Covid-19. No entanto, a assessoria de comunicação da própria Prefeitura de Niterói informou que o problema é de exclusiva responsabilidade do Inea, que não fala sobre o assunto.

Ou seja, mais uma vez a Lagoa de Piratininga fica à deriva.

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Luiz Antonio Mello
Luiz Antonio Mello
Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.
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One thought on “Mais uma mortandade de peixes na Lagoa de Piratininga revela descaso total do poder público

  1. Se fizermos uma pesquisa de opinião entre os atuais e anteriores membros dos poderes Legislativo e Judiciário, a maioria é a favor da salvação e preservação do patrimônio natural? Ou essa mesma maioria acha que isso é papo furado de ambientalistas esquerdopatas que só querem mamar nas tetas do Estado (como se esses mesmos indivíduos também não mamassem)?

    A maneira como tratamos os animais e os diversos ambientes naturais diz muito sobre o que pensamos e queremos. O descaso com os patrimônios natural, histórico, público, artístico, etc está longe de ser um problema limitado apenas à gestão do poder executivo de ocasião, mas representa uma visão de mundo hegemônica, que considera o sucesso pessoal e material do indivíduo mais importante que tudo. Daí o fato de supervalorizarmos uma empresa privada lucrativa em detrimento de todo o resto. Daí a depredação de construções históricas e a subsequente sanha de demolir tudo que é “prédio velho” para erguer em seu lugar torres de concreto, metal e vidro, para uma meia dúzia de especuladores imobiliários encherem as burras de dinheiro. Daí e sanha em passar o trator (parafraseando o atual ministro do meio ambiente) sobre florestas e abrir espaço para mais bois e vacas, para assim aumentar a oferta e baratear a carne do “sagrado churrasquinho” da classe média criminosa.

    Enquanto a lógica do sucesso material prevalecer, não há o que fazer a não ser lamentar a destruição que acontece a olhos nus.

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