Nesses dias santificados eram formadas filas na Rua Marquês de Caxias para comprar a massa pronta do bolinho de bacalhau do Mário. Outros fregueses degustavam lá mesmo o tradicional bolinho, de bom tamanho e bem quente, acompanhado do chope estupidamente gelado, servido em caneco de alumínio.
Seu Mário está em casa triste. Primeiro porque nunca ficou tanto tempo parado. Segundo porque, além de sentir falta de colocar o avental branco amarrado na cintura, está perdendo o sono sem saber como pagar a seus 52 funcionários no fim do mês.
Todos os dias, Mário abria o restaurante para receber o pescado vindo direto do mar para sua cozinha. Depois do exame de cada exemplar, verificando a textura da escama e o brilho dos olhos dos peixes, com uma faca afiada fazia a limpeza e o corte do pescado. Lulas, polvos, lagostas e cavaquinhas, camarões e siris também entram no cardápio.
Pilotando o fogão junto do balcão de entrada do restaurante, após preparar cada prato Mário vai à mesa do cliente para saber se o prato está à altura do pedido. No fim de cada noite após o manejo de frigideiras e panelas, o avental branco está respingado de molho e o cozinheiro feliz pelo dever cumprido.
Para preparar um peixe saboroso, a dica de Mário é a de que não se utilize nenhum tempero além do sal, a não ser que o freguês peça um molho.
Outra recomendação é para quando fritar, observar se o óleo está bem quente.
O melhor pescado, em sua opinião, é o cherne e a sardinha.
Mário, 79 anos, patrimônio da cidade, boa praça, típico português que mete a mão na massa e nas escamas, acostumado com o calor do fogão, agora está prisioneiro do lar, como a maioria dos niteroienses. Morador do Centro, passa parte do tempo assoviando e tocando gaita, para alegria dos vizinhos.
Assim que acabar toda essa tempestade viral, vamos brindar à vida com um chope bem gelado ao som da gaita do Mário. Vai ser festa da boa, na certa!
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