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Coluna do LAM

São Francisco pede socorro

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É visível a degradação de São Francisco, bairro que a partir da segunda metade dos anos 1970 virou referência em Niterói. Referência em qualidade de vida, em áreas verdes mas, acima de tudo, referência em participação da população.

Seus moradores sempre foram árduos e apaixonados defensores do bairro contra vários problemas entre eles a especulação imobiliária que já “destruiu” Icaraí, Ingá, Santa Rosa, Vital Brasil, etc.

O novo drama do bairro são hordas de viciados em drogas que habitavam um terreno baldio na avenida Presidente Roosevelt (canal) e hoje moram embaixo a uma ponte que fica em frente ao posto BR, no final da avenida.

Aproveitam que existem dois sinais de trânsito para molestar e até ameaçar motoristas (mulheres e idosos de preferência) com cacos de vidro nas mãos exigindo dinheiro para comprar mais drogas. São excluídos, são miseráveis, são pobres coitados, mas são perigosos.

Tenho acompanhado a luta de uma minoria de moradores do bairro. É triste a indiferença da maioria, que inclui muitos que se mudaram para lá vindos de outros pontos da região metropolitana. Logo, tem pouco ou nenhum vínculo afetivo com o bairro.

Há tempos, a minoria de abnegados moradores abriu uma página no Facebook chamada Movimento S.O.S. São Francisco onde narram diariamente o processo de abandono deste que já fui um bairro modelo de Niterói. A página fica neste link: https://www.facebook.com/groups/265078263521585/

Além da violência bem acima da média os flanelinhas achacam motoristas na avenida Rui Barbosa no entorno da agência da Caixa Econômica (muitos dormem na porta da agência) enquanto outros bandos ficam próximos a agência do Santander (do outro lado da avenida) e da padaria N.S. de Lourdes, ao lado do Lido assediando pedestres.

Faltam guardas municipais e agentes de trânsito. Há uns anos fizeram uma transloucada e burra mudança de mão nas ruas do miolo onde ninguém se entende. O bairro teve suas ruas (mesmo as mais remotas) loteadas pela cobrança de estacionamento, além da ganancia dos reboques de carros que acham fácil atacar um bairro pequeno em vez de enfrentar, com coragem, o estacionamento totalmente irregular que transformaram a rua Moacyr Padilha (que liga o Centro a rua Fagundes Varela) praticamente numa via de mão única.

O bairro também padece nas mãos de uma política florestal curiosa. A política da moto serra decreta que árvores estão doentes, manda serrar e no lugar e planta mudas que só daqui a 30 anos vão atingir um tamanho razoável.

Os moradores sabem que a PM tem feito o possível para amenizar o drama de São Francisco, mas o 12º Batalhão atende Niterói e Maricá (!!!) com pouco mais de 800 militares para cuidar da nossa cidade com quase 500 mil habitantes e de Maricá com 40 mil.

No entanto o problema mais grave do bairro é a indiferença da maioria dos moradores que sequer comparecem as reuniões do Centro Comunitário de São Francisco para apresentar suas demandas.

Lamentável.

Luiz Antonio Mello

Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.

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