
A bola voltou a rolar ontem, um mês após a renovação anual do gramado do Rio Cricket — um raro cenário verde na selva de pedra em que Icaraí se transformou, mas ainda visível para quem passa pela Rua Miguel de Frias. O clube, com sua majestosa sede em estilo colonial, foi fundado há 128 anos.
Surgiu nos “arrabaldes de Santa Rosa e Icaraí”, conforme registra a escritura de compra do terreno lavrada em 16 de novembro de 1897. O clube integra a própria história da criação do futebol no Brasil, mantendo viva sua vocação esportiva, oferecendo escolinhas para crianças. Além disso, as tradicionais peladas de fim de semana têm vagas bastante disputadas no seu bem‑cuidado gramado.
O clube foi criado por um grupo de jovens ingleses para praticar o críquete, jogo centenário de tacos e bolas cuja origem remonta ao Sul da Inglaterra, no ano de 1566. Mais foi ali no campo da Fagundes Varela que grandes jogadores de futebol deram seus primeiros chutes no antigo Rio de Janeiro.
O Rio Cricket disputou o primeiro Campeonato Carioca, em 1906, conquistando o terceiro lugar. Entre os nomes marcantes da história do clube em Niterói, destaca-se o tricampeão mundial de futebol Leonardo, seu maior craque. O campo também recebeu outros jogadores célebres, como Zizinho, Gérson, Altair, Jair Marinho e José Maria.
Na sede do clube, alguns costumes foram se transformando ao longo dos anos. O tradicional chá das senhoras às quintas-feiras, antes realizado no Salão Cristal — hoje rebatizado de Lady Di — ganhou novos contornos. As brasileiras mantiveram o espírito de convivência e camaradagem, substituindo o chá por partidas de buraco acompanhadas de refrigerante e biscoito.
