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Vacina deve chegar voando às cidades fluminenses, diz governador Claudio Castro

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Que todo brasileiro é metido a técnico de futebol, a gente já sabia. Mas agora temos milhões de “imunologistas” espalhados do Oiapoque ao Chuí. Discutem a qualidade e a validade das vacinas contra a Covid-19. Toma, não toma, obriga a tomar, não obriga… É o mote das opiniões descontroladas. Enquanto isso, em Manaus o sistema de saúde já colapsou e pacientes morrem asfixiados sem oxigênio.

O Dia D e a hora H estão chegando. Niterói está pronta para iniciar a campanha de vacinação contra a Covid-19. É o que garante o discurso das autoridades. O governador em exercício, Claudio Castro, diz que não faltam seringas. O estado tem oito milhões  desses insumos estocados no Almoxarifado da Secretaria de Saúde, no Barreto, Zona Norte de Niterói.

O prefeito Axel Grael também diz que a cidade tem seringas. E que já tem a tal da logística, tão falada pelo ministro general. Deverá começar a vacinação semana que vem imunizando os profissionais da Saúde em seus locais de trabalho e os idosos abrigados em asilos.

Só falta a vacina chegar. Cláudio Castro disse ontem que vai remeter para todos os 92 municípios as doses que o Estado receberá.

— Eu não vou dar para a capital primeiro. Todas as aeronaves do estado estão à disposição para que cada uma das 92 cidades receba proporcionalmente a parte que lhes cabe, no dia que chegar a vacina – disse enfático o governador em exercício, sem detalhar seu plano de voo para essa distribuição.

Niterói não tem nenhum aeródromo. Maricá tem. São Gonçalo, Rio Bonito, Magé nem pensar. Nova Iguaçu tem um aeroclube. Em todo o Estado do Rio de Janeiro são três aeroportos na Capital (o Galeão, o Santos Dumont e o de Jacarepaguá) e mais onze no interior fluminense. Ficam em Angra, Búzios, Cabo Frio, Campos dos Goytacazes, Itaperuna, Macaé, Maricá, Nova Iguaçu, Parati, Resende e Valença.

Anvisa carimba ou não carimba?

A aprovação das vacinas produzidas pela Fiocruz e pelo Butantã, os dois maiores centros de pesquisa do país, reconhecidos mundialmente, será conhecida no próximo domingo (17/01). Neste dia a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai carimbar, ou não, o “aprovado” nos testes apresentados pela Fiocruz e pelo Butantã.

Enquanto nossos milhões de “imunologistas” discutem pela internet sobre a eficácia das diferentes vacinas, classificando-as até como de “direita” ou de “esquerda”, em Manaus a rede de saúde está em colapso.

Pacientes morrem asfixiados por falta oxigênio e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, culpa os governos locais por “não ter a efetiva ação no tratamento precoce”. Hoje a valorosa Força Aérea Brasileira (FAB) entrou no ar (foto). Começou a levar de São Paulo para a capital do Amazonas a primeira carga de 22 mil metros cúbicos de oxigênio líquido para os hospitais manauaras.

O Ministério da Saúde já deveria estar executando a parte do seu Plano Nacional de Imunização (PNI) que trata da comunicação. Diz o documento na página 52 que esta “é uma importante ferramenta para atingirmos em tempo ágil milhares de cidadãos brasileiros”. E acrescenta que “a comunicação será de fácil entendimento e disruptiva, com o objetivo de quebrar crenças negativas contra a vacina, alcançando assim os resultados e metas almejados”.

Deu para entender? É para quebrar crenças negativas contra a vacina…

Como somos a terra do carnaval e do futebol, vamos torcer pela chegada do Dia D e da Hora H para tomar a P (picada). Depois é só cair no samba (de máscara, é claro).

Gilberto Fontes

Repórter do cotidiano iniciou na Tribuna da Imprensa, depois atuou nos jornais O Dia, O Fluminense (onde foi chefe de reportagem e editor), Jornal do Brasil e O Globo (como editor da Rio e dos Jornais de Bairro). É autor do livro “50 anos de vida – Uma história de amor” (sobre a Pestalozzi), além de editar livros de outros autores da cidade.

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