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Um  chaveiro que salva vidas abrindo portas em Niterói há 40 anos

Escrito por Gilson Monteiro às 16:37 do dia 8 de abril de 2026
Sobre: Sem segredo
  • Bebeto das chaves, Niterói
08abr
Carlos Alberto Ribeiro Alves, o Bebeto, no comando da loja que virou referência quando o assunto é chave e confiança

Tem gente que nasce para ser útil. Não no sentido burocrático da palavra, mas naquele jeito bonito de quem resolve o problema dos outros quando o caos já tomou conta. Carlos Alberto Ribeiro Alves é exatamente esse tipo de figura. Em Niterói, muita gente só respira aliviada depois que liga para ele — o famoso Bebeto das Chaves, o homem que aparece quando a chave some, quebra ou emperra no pior momento possível.

A trajetória dele é daquelas que parecem inventadas, mas são verdadeiras: instrutor de autoescola, taxista, representante da Gold… até que um dia percebeu que tinha jeito para a arte de abrir portas — literalmente. Virou aprendiz de chaveiro, gostou, viu que a cidade precisava e abriu sua própria loja. Isso faz quase 40 anos, na Visconde de Itaboraí, 176, onde continua firme até hoje, atendendo pelo telefone (21) 2621-6515.

Bebeto, experiente como poucos, já começa com um conselho que deveria vir escrito no manual de qualquer carro: tenha sempre uma chave reserva. Com os modelos eletrônicos e sofisticados de hoje, perder a chave virou quase um evento traumático. E ele explica: além do incômodo, o motorista ainda perde tempo e dinheiro levando o carro de reboque até a loja.

Mas o que faz de Bebeto uma figura quase folclórica da cidade não é só a competência. É o tanto de história que ele carrega.

Quatro décadas atendendo gente em pânico rendem um acervo que daria um livro. Tem de tudo: moradores trancados para fora do apartamento de chinelo e toalha, idosos que escondem a chave tão bem que depois não lembram onde está, crianças que brincam de “sumir com as coisas” e deixam os pais desesperados.

E os motoristas… ah, os motoristas. Esses perdem chave em todo tipo de lugar e horário. Mas poucas histórias superam a do sujeito que, tomado pela emoção do momento, perdeu a chave no emaranhado dos lençóis de um motel. A chave simplesmente evaporou no calor da paixão. Chamaram Bebeto. Ele chegou com sua maleta e fez outra chave ali mesmo. No fim, todo mundo saiu feliz, inclusive o casal, que pôde continuar a noite sem o fantasma do prejuízo rondando o romance.

É por isso que ele costuma dizer que chaveiro é quase bombeiro: aparece quando o desespero já bateu na porta — ou quando a porta não abre de jeito nenhum. Figura especial como Carlos Alberto Ribeiro Alves, que há 40 anos abre portas, resolve sufocos e devolve a paz a tanta gente, merece mesmo a chave de ouro da terra de Araribóia.

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Gilson Monteiro
Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.
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