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Coluna do LAM

Sports Bar: entre futebol, mesas, copos e risos, a essência de Icaraí

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Icaraí é o mais populoso bairro de Niterói. Segundo o censo de 2010, são 75 715 habitantes, dos quais 44.490 mulheres (57.09% do total) e 33.775 homens (42.91% do total). Por isso a profusão de mulheres caminhando pelas ruas do bairro o dia todo, deixando muita gente tonta.

“Moro em Laranjeiras, no Rio, trabalho no Shopping Icaraí e é impressionante a quantidade de mulheres bonitas que existem em Icaraí. Pena que elas não olham para o lado, são difíceis”, brinca o dentista Ricardo Loureiro que trabalha em seu consultório de Niterói três vezes por semana e sempre que pode, entre uma consulta e outra, desce para tomar um café na Moreira César, segundo ele contemplar “o Vesúvio do mulherio.”

O nativo de Icaraí em geral é despojado e adora bater papo, mesmo com desconhecidos. É uma tradição. Os mais antigos contam que no passado, na Praia de Icaraí, as pessoas sentavam nas muretas das casas (hoje só há prédios) e ficavam conversando papo, observando quem fazia footing por ali.

Pois existe um lugar na Rua Tavares de Macedo, quase esquina com a Álvares de Azevedo, que há uns 30 anos mantém as tradições de Icaraí, o maior e mais eclético bairro de Niterói.

O lugar se chama Sports Bar, também chamado de Cerol, ninguém sabe porquê. Como o nome diz, o bar reúne torcedores de futebol, vôlei, Fórmula 1, todos os esportes, que torcem diante de vários monitores de TV que funcionam das 9 da manhã até o último cliente, o que é raro.

Enfim um bar bom que não bota as cadeiras em cima das mesas a meia noite. Graças a centenas de frequentadores fiéis o Sports só fecha quando o último pede a conta. Pode ser 3 da manhã, ou uma, depende do movimento. E como o boêmio de Icaraí dorme tarde, o bar fica “no ar” direto.

Como se sabe, outra característica de Icaraí é o bom humor e a camaradagem. Flamenguistas, vascaínos, botafoguenses, tricolores dividem mesas e gritos mesmo quando os times disputam uma final. Claro, vascaínos e flamenguistas se zoam mutuamente na boa, sem baixo astral, briga.

“Moro ali na Presidente Backer e venho aqui há oito anos porque gosto do ambiente, a começar pelos garçons que são super gente fina. A comida é ótima e a cerveja está sempre muito gelada, além do preço que é justo. Sento em qualquer lugar, mesmo sem conhecer ninguém. Em poucos minutos já fico enturmado. O ambiente é simples, despojado, muito limpo e os pratos são fartos. Claro, tem o quesito feminino. Como tem mulher linda nesse bar”, comenta Aristides Soares Filho, técnico de Tecnologia da Informação.

O Sports Bar reúne vários públicos. A partir das 11 da manhã chegam os estudantes de escolas da região e pessoas que trabalham em Icaraí para o almoço. O Sports oferece várias opções de pratos executivos, com preços variados. A partir das quatro da tarde começa o “segundo turno”, pessoas que passam por ali para uma saideira antes de ir para casa. As seis, em geral, o bar já está cheio de gente que chega do trabalho e também os torcedores e boêmios que vão encarar a noite, no terceiro turno.

A advogada Patrícia Dutra Montes gosta do fim de tarde. “Chego do trabalho umas seis e fico aqui dando um tempo por causa do trânsito, já que moro em São Francisco. Mas sempre chega gente conhecida, é impressionante. Muitas vezes acabo emendando com o pessoal do futebol, em geral quartas-feiras, porque gosto da alegria, da vibração. Nem curto muito futebol, rsrsrsr, mas curto a torcida do pessoal aqui.”

A área externa é a preferida dos frequentadores, sempre orientados a deixar livre a passagem dos pedestres. Aliás, o Sports dá exemplo de cidadania. Quando fecha lava até a calçada. Por isso os moradores da região não reclamam do falatório. Não tem música ao vivo nem música ambiente. De vez em quando um ou outro músico de rua para e toca alguns minutos, mas sempre antes das 10 da noite por causa da Lei do Silêncio.

Icaraí é um bairro cheio de histórias curiosas, mas quando a especulação imobiliária praticamente destruiu o bairro em meados dos anos 1970, encontrar conhecidos nas ruas virou um desafio para os locais. O sucesso do Sports Bar é um bom indício porque mostra que o local de Icaraí, e de outras partes da cidade, continuam mantendo o hábito de conversar, conversar, conversar, característica do niteroiense.

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# Uma pequena Muzema está surgindo no Engenho do Mato, logo após a praça, na estrada do Vai em Vem. Várias cabeças de porco, umas com quadro andares, estão desfigurando o lugar.

# Algumas vans escolares estão inovando em frente ao colégio São Vicente de Paulo. Estacionam em três pistas, tumultuando a já tumultuada Miguel de Frias.

# Muita gente extraindo mexilhões nas imediações da Pedra de Itapuca para vender por aí. Mexilhões são filtros naturais de poluição, ou seja, alguém vai comer lixo.

# Postos de Saúde vazios. Quase ninguém está tomando vacina contra a gripe.

Luiz Antonio Mello

Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.

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