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Samanguaiá, o point dos famosos na tranquila enseada de Jurujuba

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O cais do Restaurante Samanguaiá, por onde passavam celebridades chegadas à enseada de Jurujuba em seus iates nas décadas de 50 a 70.

Pediram para a Coluna lembrar de um local charmoso, que movimentou Niterói nas décadas de 50 e 60 e início dos anos 70, valendo mais ou tanto que qualquer ponto turístico. Cariocas ricos e famosos ancoravam seus luxuosos iates e a nata niteroiense encostava seus carros importados para almoçar ou jantar no casarão que ficava na enseada de Jurujuba, onde hoje funciona o Projeto Grael.

Era o Samanguaiá, restaurante e hotel de poucos quartos. Os irmãos libaneses Kamel e Pierre Farsoum sabiam receber com maestria, dando tratamento vip e status a quem frequentava. No salão se esbarrava com gente do jet set internacional e figuras destacadas do governo, sociedade, política, imprensa, arquitetura, medicina, advocacia e música, das duas ex-capitais.

Nos fins de semana e feriados, parecia uma ponte al mare, ligando o Iate Clube do Rio de Janeiro ao Samanguaiá, com as embarcações chegando a todo instante, deixando os passageiros que eram recebidos com pompas, no único cais, ficando fundeadas no mar tranquilo em frente.

Habitués famosos

Quando menos se esperava, aparecia o play boy Jorginho Guinle com Harry Stone, trazendo a tiracolo, o casal de atores Janet Leigh e Tony Curtis ou a atriz francesa Martine Carol.

Habitués cariocas do espaço, cirurgião plástico Ivo Pitanguy, arquiteto Oscar Niemayer, colunistas Ibrahim Sued, Zózimo Barroso, Jacinto de Tormes, advogado Ewandro Lins e Silva, político Bocaiúva Cunha, e às vezes, o presidente Juscelino Kubitschek com dona Sara ou Roberto Carlos, chegando com seu iate Laura, nome em homenagem a sua mãe. Depois, o barco virou Lady Laura.

Alguns niteroienses batiam ponto com frequência no Samanguaiá, como os cirurgiões plástico Ronaldo Pontes e geral Guilherme Eurico, advogados Waldemar Zveiter, que virou ministro do STJ, e Renato Garcia Justo, além dos jornalistas Alberto Torres, de O Fluminense, e José Cândido de Carvalho, imortal da Academia Brasileira de Letras.

O forte do cardápio era o peixe, com destaque para frutos do mar como lagostas, cavaquinhas e camarões grelhados ou na brasa, mas como o dono era “primo”, incluía alguns pratos árabes.

Um mistério que ficava trancado a quatro paredes, é que Pierre, jeitoso, emprestava a suíte do hotel para que alguns figurões passassem momentos de prazer com vista para as enseadas de Jurujuba e São Francisco.

A bebida importada geralmente os fregueses traziam na lancha ou o restaurante tinha alguma do Freeshop ou adquirida de algum importador.

A cidade tranquila, com seu mar de almirante, que já foi chamada de Sorriso, capital do Estado do Rio, viveu momentos de glória e glamour. Hoje confia em Deus que a nossa angústia e aflição será passageira, para que possamos muito em breve dar um brinde a saúde e à vida.

 

Gilson Monteiro

Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.

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