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Revolta e dor no enterro de aposentada

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Num ambiente de muita tristeza e revolta pelo assassinato de Maria Alcina Gil, de 66 anos, morta a facadas durante uma tentativa de assalto em Icaraí, parentes e amigos reclamaram durante seu sepultamento no Parque da Colina, na tarde desta quarta-feira (20/09), providências urgentes das autoridades para a punição do crime e para evitar que novas tragédias como essa aconteçam.

Um primo da aposentada, Jodé Curi Filho, discursou para o grande número de parentes e amigos que acompanhavam o sepultamento criticando o “descaso das autoridades, preocupadas com aparências, showmícios lamentáveis e patéticos, para desfilar com bicicletas, que, por ironia do destino, foram o veículo daqueles que tiraram a vida de minha prima, uma vida ceifada por vermes que pedalam caçando  possíveis vítimas”.

Jodé concluiu o desabafo cobrando que o prefeito Rodrigo Neves “venha a público não para pedalar nas maratonas, mas para nos convencer dos seus efetivos projetos de segurança pública”.

Maria Alcina acabara de se aposentar como analista de sistema do Tribunal de Justiça do Estado do Rio. O marido, engenheiro Elivaldo Bragança Gil, depois de ocupar vários cargos de chefia na Cedae, também resolveu pedir sua aposentadoria para o casal poder ficar mais tempo junto. Ele é sobrinho e afilhado do ex-prefeito Waldenir de Bragança, que estava muito emocionado no velório e no sepultamento.

No início da tarde de ontem (19/09) a mulher voltava para casa andando pela Alameda Carolina, em Icaraí, quando dois bandidos surgiram por trás pedalando bicicletas. Um deles tentou roubar a bolsa dela, que gritou e correu, mas acabou morta com uma facada nas costas. No início da noite, policiais militares encontraram os suspeitos no Sketpark, em São Francisco, e um deles confessou o crime na Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo.

O discurso do primo Jodé Curi Filho, no momento em que o caixão descia a sepultura, recebeu os aplausos das pessoas comovidas com a perda brutal de Maria Alcina. Disse o familiar enlutado:

“Nada sabemos, mas de forma obstinada queremos o domínio total sobre as coisas.  Hoje  minha família foi apunhalada pelos lobos famintos, doentes e que não conheceram em suas vidas, embora jovens, o que significa a perda de um ente querido, nesta banalização que anda nos tirando o sono e devastando os corações de tantas famílias.  Nos tiraram um SER HUMANO DO BEM, que era o pilar do seu marido, filhos e netos. Uma dor infinda e indelével.  Olhar nos olhos de meu amado primo e vê-lo sem norte, diante dessa perda que não temos como mensurar.  Arrancaram essa linda mulher e alma de nossa convivência de forma estúpida e abrupta. Um misto de revolta, dor, indignação, medo, falta de perspectivas por dias melhores, porque faz tempo que estamos à deriva.  Uma cidade que já não é sorriso. Cada vez, com intervalos menores, entre tantos episódios de violências e mortes. Roubando paz, sonhos e desejo de viver numa cidade, que hoje apenas encorpa estatísticas de vítimas do descaso das autoridades, preocupadas com aparências, showmícios lamentáveis e patéticos, para desfilar com bicicletas, que, por ironia do destino, foram o veículo daqueles que tiraram a vida de minha  prima, uma vida ceifada por vermes que pedalam caçando  possíveis vítimas. Venha a público, senhor prefeito, não para pedalar nas maratonas, mas para nos convencer dos seus efetivos projetos de segurança pública”.

Gilson Monteiro

Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.

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