
Quinze sócios resistem heroicamente — e com sacrifício pessoal — para impedir que a trajetória de 109 anos do Fluminense de Natação e Regatas seja interrompida, como já ocorreu com outros clubes tradicionais de Niterói, a exemplo do IPC e do Clube de Regatas Icaraí, vendidos e transformados em prédios na famosa orla da cidade.
À frente dessa luta está Antônio Copolilo, sócio desde os cinco anos de idade e presidente há 46 anos. Emocionado, ele afirma que a história do tradicional Fluminensinho está profundamente entrelaçada com a vida dos moradores da Ponta D’Areia e não pode simplesmente desaparecer.
Fundado na esquina das ruas Silva Jardim e Visconde do Rio Branco, o clube completa 11 décadas em 2025. Teve dias de glória no esporte náutico, conquistando títulos no Campeonato Carioca e, ao lado dos clubes niteroienses Gragoatá e Regatas Icaraí, foi um dos fundadores da Federação de Remo do Estado do Rio de Janeiro.
O centenário Fluminensinho brilhou também no basquetebol e no futebol de salão. Em uma época com poucos espaços de lazer, seu salão era ponto de encontro permanente, palco de festas, eventos e da famosa domingueira, que atraía jovens de toda a cidade. Já chegou a ter 500 sócios, mas hoje restam apenas 15 pagantes — número suficiente apenas para compor a diretoria, presidida por Copolilo, hoje com 85 anos, que comparece ao clube todos os dias, faça sol ou chuva.
A receita atual é tão pequena que não há empregados fixos. Dois rapazes se revezam na limpeza e no cuidado com a piscina. O pouco que entra vem das aulas de natação, do uso da piscina no verão mediante taxa simbólica, do consumo no bar e de alguns churrascos de fim de semana. O clube enfrenta ainda um problema sério no ginásio de esportes, cuja cobertura foi danificada pelas fortes chuvas, afetando outras estruturas.
Copolilo sonha com uma parceria com a Prefeitura, que poderia criar um projeto social para utilizar o espaço nos dias úteis, deixando fins de semana e feriados para o clube. Com uma piscina de adultos e outra infantil, o Fluminensinho tem sido procurado por mães de crianças com autismo, em busca de um local adequado para tratamento — um trabalho que poderia ser coordenado pela Secretaria de Saúde.
O clube ficava originalmente em frente ao mar: bastava atravessar a rua para pisar nas areias da antiga Praia da Vitamina, apelido dado pela grande quantidade de frutas jogadas ao mar por navios ancorados na Baía de Guanabara e trazidas pela correnteza. Frequentadores — este colunista incluído — estavam acostumados a emergir de um mergulho, em águas nem sempre próprias, batendo a cabeça em um abacate, laranja ou maçã.
Nas areias havia um concorrido campinho de pelada, que revelou craques para o futebol carioca, entre eles Milton Copolillo, tricampeão pelo Flamengo em 1953, 1954 e 1955, ao lado de Dequinha, Jordan, Joel, Rubens, Dida, Evaristo e Zagallo. Milton, irmão de Toninho, foi também professor de educação física no Instituto Abel por muitos anos.
Toda a área entre a Rua Visconde do Rio Branco e a Praça Martim Afonso foi aterrada durante o governo estadual de Raimundo Padilha, entre 1971 e 1975.
Esses 15 heróis do Fluminense de Natação e Regatas, liderados por Antônio Copolilo, merecem apoio e solidariedade por manterem vivo um patrimônio esportivo e histórico da terra de Araribóia — um clube que resiste, apesar de tudo, para não se tornar apenas mais uma lembrança engolida pelo tempo e pelo mercado imobiliário.

Os Clubes passam por difícil situação .Indispensavel que o poder público cupra seu papel, viabilizando a necessária a parceria , evitando que mais um Clube
.feche as portas. SALVE O FLUMINENSINHO.