
O aumento das cotas condominiais voltou ao centro das discussões entre moradores e administradores de condomínios. Em um cenário de inflação oficial relativamente controlada, muitos se perguntam por que o valor pago mensalmente ao condomínio continua subindo em ritmo superior ao dos índices divulgados pelo governo. No entanto, segundo Alberto Machado, presidente do Sindicato dos Condomínios de Niterói e São Gonçalo (SinCond), é importante esclarecer que a cota condominial não representa uma fonte de lucro para os condomínios, mas apenas o rateio das despesas necessárias para a manutenção e o funcionamento dos empreendimentos.
Dados do mercado imobiliário apontam que os custos condominiais vêm crescendo em ritmo superior ao da inflação oficial. Levantamento do Censo Condominial 2025/2026, elaborado com base em dados do IBGE, indica que as despesas dos condomínios acumularam alta de aproximadamente 24,9% nos últimos três anos. Já o Secovi Rio aponta que, no Estado do Rio de Janeiro, o reajuste médio das cotas condominiais tem girado em torno de 11,7% ao ano, acima da variação registrada pelo IPCA no mesmo período.
De acordo com Machado, embora os reajustes pesem no orçamento das famílias, eles acompanham a elevação dos custos que compõem o orçamento condominial. “O condomínio não vende produtos nem presta serviços com finalidade lucrativa. A arrecadação das cotas é destinada exclusivamente ao pagamento das despesas coletivas”, destaca.
Entre os principais fatores que pressionam os reajustes estão a folha de pagamento de funcionários, que em muitos casos representa entre 40% e 50% do orçamento, além dos gastos com energia elétrica, água, contratos de manutenção de elevadores, bombas hidráulicas, portões automáticos e sistemas de segurança.
O presidente do SinCond ressalta ainda que a necessidade crescente de investimentos em monitoramento eletrônico, controle de acesso e proteção patrimonial também contribui para o aumento das despesas. Nos prédios mais antigos, somam-se ainda os custos com obras de conservação, recuperação estrutural e modernização de instalações hidráulicas e elétricas.
Para Alberto Machado, a diferença entre a inflação oficial e o reajuste das cotas condominiais está justamente na composição dessas despesas. “O IPCA mede uma cesta ampla de produtos e serviços consumidos pelas famílias. Já o condomínio concentra seus gastos em itens que têm sofrido pressão maior de preços, especialmente mão de obra, manutenção predial, energia elétrica e segurança”, explica.
Segundo ele, a alta das cotas condominiais acima do IPCA não deve ser interpretada automaticamente como sinal de má gestão. “Na maioria das vezes, ela reflete o aumento dos custos reais do setor. O condomínio não visa lucro. Sua arrecadação é destinada exclusivamente ao pagamento das despesas coletivas que garantem a conservação do patrimônio, a prestação dos serviços e a segurança dos moradores”, conclui.
