
Na Avenida Reginaldo Zeidan, na Praia das Lagoas, um outdoor da Prefeitura de Maricá chama atenção dos motoristas e pedestres: “O mosquito não tira férias. Elimine água parada”. A campanha, promovida pela Secretaria de Saúde, busca alertar a população sobre os riscos da dengue e a importância de eliminar criadouros do Aedes aegypti.
O problema é que, bem ao lado do cartaz, dois containers de lixo transbordam, acumulando resíduos que podem facilmente reter água da chuva. Garrafas plásticas, sacolas e recipientes expostos tornam-se potenciais criadouros do mosquito, criando uma contradição evidente entre a mensagem oficial e a realidade urbana.
Dados preocupantes
Em 2024, Maricá registrou duas mortes confirmadas por dengue, as primeiras da região Metropolitana II. Em 2025, a cidade intensificou ações de combate, com visitas de agentes de endemias e inspeções em residências, mas os desafios estruturais persistiram.
No Estado do Rio de Janeiro, os números mostram uma oscilação: em 2025, foram mais de 9 mil casos na capital, com quatro óbitos; já em 2026, até fevereiro, houve apenas 420 casos e nenhum óbito, segundo dados oficiais. Apesar da queda, especialistas alertam que o Brasil deve enfrentar cerca de 1,8 milhão de casos neste ano, o segundo maior índice desde 2000.
A cena na Praia das Lagoas sintetiza um dilema recorrente: campanhas educativas convivem com falhas na gestão de resíduos e infraestrutura urbana. O outdoor pede vigilância contra a água parada, mas o lixo acumulado ao lado oferece exatamente o ambiente propício para a proliferação do mosquito.
Mais do que uma ironia visual, o episódio revela a urgência de alinhar comunicação e ação. Sem coleta eficiente de lixo e fiscalização constante, slogans de prevenção correm o risco de se tornarem apenas símbolos de uma batalha travada em terreno desigual.
