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Coluna do LAM

Os avisos da natureza

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Nenhuma autoridade brasileira leva o meio ambiente a sério, tanto no planeta federal, como no estadual e no municipal. Os cargos na área em geral são resultado de acordos políticos, interesses, porque até o fim do mundo o Brasil vai continuar deixando que torrem a Amazônia, Mata Atlântica, baias, rios, oceano. A incultura nacional só quer saber do lucro fácil, aqui e agora, devastar logo, rápido, porque daqui a 50 anos poucos ainda vão estar na área, muito menos a própria Amazônia.

Em Niterói a vergonha não é modesta. Essa semana a cidade apareceu no ranking nacional com a segunda maior temperatura do país e houve quem enchesse o peito de orgulho. Ultimamente a cidade só aparece em rankings de desgraça, mas para muitos obtusos o importante é estar na frente e aparecer na TV, não importa em que, como.

A temperatura por aqui só aumenta por uma razão óbvia que até o mais ululante dos imbecis deve ter notado. Niterói está pelada, com poucas árvores, a especulação imobiliária, amásia das autoridades, devora o que vê pela frente; as construções nos morros, de ricos, pobres e medianos (na foto, as mansões na costa de Itacoatiara) ignoram qualquer código de decência, uma lambança alavancada pelo descaramento público.

Quando chove a cidade é tomada pelo esgoto das valas fétidas graças ao lixão deixado pela população em qualquer lugar, que também provocam queda de barreiras arrastando casas construídas em áreas de alto risco. Os muito bem pagos soberanos do poder dizem que a culpa não é deles; o povo esquece e o mundo continua caindo.

Um dos principais atores dessa tragédia é o eleitor, que elege os responsáveis pela desordem em geral, inclusive no meio ambiente. Para agravar, boa parte da população fica em casa, quando muito reclamando no Facebook, mas é incapaz de se unir e providenciar um gigantesco plantio de árvores na cidade, fazendo vaquinhas, contratando profissionais para dar assessoria e passar por cima das autoridades, aquelas que chamam árvore de indivíduo arbóreo e decidem cortar centenas porque acham que não combinam com o mobiliário urbano. Essa é uma das justificativas dos barnabés das revistas de moda ecológica, clodovis do verde (referência ao costureiro Clodovil).

A lista de desonras não para aí. A Lagoa de Piratininga, podre há quase 50 anos, voltou as redes sociais exibindo toneladas e mais toneladas de peixes mortos porque, de novo, faltou oxigênio. Todo mundo sabe que a lagoa está secando e os velhacos dos poderes (todos) ainda não mandaram abrir o tal canal de comunicação com o mar. Estão esperando o que? Há anos que há corretores vendendo terrenos no fundo da lagoa esperando que ela seque. Como também em Itaipu.

Niterói continua fingindo que não ouve os avisos da natureza, mas para dizer que não falaram em flores, alguns bem-intencionados eventualmente dão abraços na lagoa que parecem não sensibilizar quem comanda.

Luiz Antonio Mello

Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.

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