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O show da Teatro Municipal de Niterói

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Na última quarta feira o grupo inglês Renaissance fez um show histórico no nosso Teatro Municipal de Niterói. Com a lotação esgotada, a banda fez o público delirar e aplaudir várias vezes de pé, entre as músicas, a performance genial dos britânicos liderados pela grande soprano Annie Haslam. Um sucesso estrondoso que mostra a força do rock progressivo no mundo e especialmente em Niterói.

Eu estava com saudade dos niteroienses autênticos, escondidos pela cidade e substituídos pelos emergentes de outros municípios que migram para cá freneticamente, atraídos pela especulação imobiliária. Mas o Renaissance conseguiu tirar os verdadeiros papagoiabas das suas tocas provocando uma verdadeira celebração musical, social, afetiva. Encontrei amigos, colegas, vizinhos (há quanto tempo!) leitores, ouvintes aqui da cidade encantados com o Renaissance e com o nosso Teatro Municipal de Niterói, um verdadeiro míssil contra a barangagem musical que tenta assolar o país.

A qualidade do grupo inglês é praticamente inquestionável, mas o show ganhou mil por cento de potência graças a acústica do Teatro, elogiada por todos os músicos que vi tocarem lá, entre eles Egberto Gismonti, Ron Carter, Hermeto Paschoal e muitos e muitos outros.

Mais: a brilhante equipe do teatro, comandada pela também brilhante Marilda Ormy, deu um show de talento (não é fácil produzir um show dessa magnitude), competência e carinho com o público. A delicadeza e carinho dos profissionais no trato com a platéia foi comentário geral após o show, quando muita gente preferiu ficar no pátio interno aguardando Annie Hasam para pedir autógrafos. Diante desse belo quadro, comentei com meu irmão Fernando Mello “isso, sim, é Niterói. Terra do afeto”.

O Municipal e sua equipe merecem atenção máxima do poder público. Trata-se de um dos mais importantes espaços culturais do país, capacitado para receber novos Renaissances para que o verdadeiro niteroiense vá assistir. Um teatro cosmopolita que pode, sim, estar conectado com a cultural mundial e nacional de primeira grandeza e trazer para a nossa cidade o que há de melhor nas artes. É nessa hora que o poder público entra, bancando, investindo, acreditando que a Cultural é o autêntico Produto Interno Bruto da nossa Niterói.

O Renaissance foi mais uma amostra do que o nosso Municipal é capaz, com a sua grandeza, coragem, ousadia e disposição para fazer o melhor. Sempre. Parabéns Marilda Ormy e bela equipe. Parabéns, Renaissance.

Luiz Antonio Mello

Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.

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