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Alfaiate português que virou panificador de sucesso em Niterói faz 91 anos

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Gentil Moreira de Souza acaba de soprar 91 velinhas em um bolo exclusivo da Beira Mar. A quarentena não permitiu uma grande festa, mas a mulher Clarice estava a seu lado. Há 70 anos Gentil chegou a Niterói, vindo de Arouca, uma pequena cidade ao Norte de Portugal. Era alfaiate e pretendia continuar aqui na profissão. Com nove anos de Brasil, trocou a tesoura, o tropical inglês e os cortes de roupa masculina pela farinha de trigo importada e o calor dos fornos à lenha da primeira padaria que comprou no Centro de Niterói.

Em 1974, depois de ter cinco padarias na cidade, em sociedade com os irmãos, comprou sozinho a Beira Mar, no coração de Icaraí. Eram 12 empregados, hoje são 300.  Para fabricar seus pães e bolos, a Beira Mar consome 15 toneladas de farinha de trigo da França ou do Canadá; 45 mil ovos, duas toneladas de açúcar e 600 quilos de manteiga por mês.

Gentil viajou 21 dias de navio, trazendo na mala muitos moldes e a esperança de mostrar seu talhe exclusivo aos brasileiros. Na verdade, o alfaiate costurou foi um grande e produtivo negócio na Rua Moreira César.

Com a visão aguçada de quem bota linha no buraco da agulha, viu que aquele ponto estratégico de Icaraí poderia atrair gente o dia todo. Implantou o sistema de atendimento self service, com café da manhã, almoço, lanche e jantar.

Outra tacada de mestre: trouxe logo para ser seus braços direito e esquerdo a filha Maria Célia. Ela passou a fazer cursos com grandes mestres da pâtisserie em Paris, trazendo receitas incríveis e deliciosas, de doces, biscoitos e pães, que fazem a Beira Mar ser imbatível no ramo, no Rio de Janeiro.

Gentil bate ponto todos os dias na Moreira Cesar, mesmo depois de ter passado o comando da empresa para Maria Célia, que trouxe Paula, neta dele, formada em administração. Casado com a brasileira Clarice, tiveram outro filho, Eduardo, médico.

O comendador Gentil Moreira, título concedido pelo governo português, com a alma impregnada pela doçura, já escreveu quatro livros de poesia, que falam desde sua infância até os dias atuais.

Gilson Monteiro

Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.

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