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Niterói tem mais secretarias municipais do que Rio e São Paulo somadas

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Com secretarias de sobra, Niterói usa contêineres para instalar suas repartições, como a Regional do Ingá, em São Domingos

Niterói gasta com a folha de pagamento dos servidores quase a metade dos bilhões de reais que arrecada anualmente. São 70 secretarias municipais, órgãos públicos e autarquias empregando 15.340 funcionários. Enquanto isso, capitais como Rio e São Paulo têm, cada uma, 26 pastas em sua estrutura administrativa.

A máquina inchada para atender interesses eleitoreiros é formada por centenas de fantasmas, como recentemente se viu no escândalo da Emusa. A empresa municipal tinha 1.200 comissionados que nada faziam a não ser receber os vencimentos, como denunciou por 13 anos o Ministério Público.

Niterói ainda esbanja verba que poderia estar sendo usada na saúde, educação, segurança e planejamento do trânsito. Dentre as sete dezenas de secretarias, uma delas chama atenção. A Secretaria Executiva, instalada numa saleta perto do gabinete do prefeito, tem em seu quadro um secretário (R$ 22 mil de vencimentos), 17 subsecretários (R$ 16,4 mil, cada) e mais 233 nomeados.

Outro exemplo de como o dinheiro do contribuinte vai para o ralo com essa estrutura mais política do que administrativa: Niterói tem 17 Administrações Regionais. Cada uma com secretário, subsecretário, diretores e assessores.

As Regionais deveriam atuar como representantes da prefeitura nos bairros, mas servem como cabide de emprego para cabos eleitorais. A do Ingá está instalada em contêineres no terreno do Parque Esportivo, em São Domingos. A da Região Oceânica fica em uma salinha do CISP (em Piratininga).

Enquanto a capital de São Paulo tem 12 milhões de habitantes e a do Rio 6,7 milhões, em Niterói a população é formada por 510 mil pessoas. Ou seja, a ex-capital fluminense tem 1 secretário municipal para cada grupo de 7.300 moradores. Deveria, portanto, estar muito bem administrada. Mas não é o que o niteroiense verifica em seu dia a dia.

Gilson Monteiro

Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.

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