New here? Register. ×
×

Niterói perde uma grande líder na defesa dos direitos das pessoas com deficiência

Escrito por Gilson Monteiro às 16:57 do dia 12 de fevereiro de 2026
Sobre: Tânia Rodrigues
  • Tânia Rodrigues, Niterói
12fev
Tânia Rodrigues presidindo uma audiência pública na Câmara de Vereadores de Niterói

Uma mulher vigorosa que lutou arduamente pela causa do deficiente físico foi Tânia Rodrigues, que desde os 3 anos, quando contraiu poliomielite e perdeu os movimentos dos braços e das pernas, passou a sentir as dificuldades que a sua família encontrava para realizar o seu tratamento. Até falecer ontem aos 75 anos, foi uma referência e uma batalhadora na luta pelas PCDs, sendo sepultada hoje (12) no Parque da Colina.

Médica e figura de destaque na defesa dos direitos das pessoas com deficiência, Tânia Rodrigues construiu uma trajetória pública marcada pela determinação e pelo compromisso social. A experiência precoce com a poliomielite não apenas moldou sua percepção sobre as barreiras impostas às PCDs, mas também direcionou toda a sua vida profissional e política.

Aos 23 anos, formou-se em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF), onde se especializou em Neurologia. Ao longo de sua carreira, acumulou formações voltadas à reabilitação e ao cuidado de pessoas com deficiência, sempre atuando de forma integrada entre assistência médica, políticas públicas e inclusão social.

Reconhecida por sua firmeza e sensibilidade, Tânia tornou-se referência no debate sobre acessibilidade e direitos civis, levando para a arena política as demandas de um público historicamente negligenciado. Sua atuação a transformou em símbolo de resistência e inspiração para pacientes, profissionais de saúde e ativistas do movimento das PCDs.

Trajetória política

A médica e ativista Tânia Rodrigues construiu uma das trajetórias mais emblemáticas da política niteroiense e fluminense ao transformar sua vivência pessoal com a deficiência física em um projeto público de defesa dos direitos das pessoas com deficiência (PCDs). Reconhecida pela atuação firme, pela capacidade de articulação e pela sensibilidade social, Tânia se tornou referência ao longo de décadas de vida pública.

Sua entrada na política foi consequência natural de sua militância. Já conhecida pela atuação comunitária e pelo trabalho médico voltado à reabilitação e à inclusão, ela ajudou a fundar a Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef), que se tornaria uma das mais importantes instituições de apoio às PCDs no estado do Rio de Janeiro. A entidade se consolidou como polo de promoção esportiva, reabilitação, formação profissional e integração social, ampliando o alcance da causa que ela sempre defendeu.

A projeção conquistada na Andef a levou à vida institucional. Eleita vereadora em Niterói, Tânia levou para a Câmara Municipal pautas até então invisibilizadas, como acessibilidade urbana, implantação de políticas públicas de reabilitação, criação de centros de referência para PCDs e fiscalização das condições de mobilidade na cidade. Seu mandato foi marcado pela insistência em incluir a temática da deficiência nos debates centrais da administração municipal.

Mais tarde, sua atuação lhe garantiu espaço na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), onde exerceu o cargo de deputada estadual. No legislativo fluminense, ampliou o alcance de suas propostas, defendendo a criação de programas permanentes de inclusão, o fortalecimento das políticas de saúde voltadas à reabilitação e a ampliação de direitos sociais para pessoas com deficiência. Seu trabalho também impulsionou iniciativas de incentivo ao esporte paralímpico e de apoio às famílias cuidadoras.

Tânia Rodrigues consolidou-se como uma das vozes mais firmes e respeitadas na luta pelos direitos das PCDs, sempre pautando sua atuação pelas próprias experiências de vida e pelo compromisso inabalável com a dignidade humana. Sua trajetória política permanece como referência para movimentos sociais, gestores públicos e profissionais da saúde que atuam pela construção de uma sociedade mais acessível e inclusiva.

Sharing is caring

Gilson Monteiro
Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.
|

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *