
Uma mulher vigorosa que lutou arduamente pela causa do deficiente físico foi Tânia Rodrigues, que desde os 3 anos, quando contraiu poliomielite e perdeu os movimentos dos braços e das pernas, passou a sentir as dificuldades que a sua família encontrava para realizar o seu tratamento. Até falecer ontem aos 75 anos, foi uma referência e uma batalhadora na luta pelas PCDs, sendo sepultada hoje (12) no Parque da Colina.
Médica e figura de destaque na defesa dos direitos das pessoas com deficiência, Tânia Rodrigues construiu uma trajetória pública marcada pela determinação e pelo compromisso social. A experiência precoce com a poliomielite não apenas moldou sua percepção sobre as barreiras impostas às PCDs, mas também direcionou toda a sua vida profissional e política.
Aos 23 anos, formou-se em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF), onde se especializou em Neurologia. Ao longo de sua carreira, acumulou formações voltadas à reabilitação e ao cuidado de pessoas com deficiência, sempre atuando de forma integrada entre assistência médica, políticas públicas e inclusão social.
Reconhecida por sua firmeza e sensibilidade, Tânia tornou-se referência no debate sobre acessibilidade e direitos civis, levando para a arena política as demandas de um público historicamente negligenciado. Sua atuação a transformou em símbolo de resistência e inspiração para pacientes, profissionais de saúde e ativistas do movimento das PCDs.
Trajetória política
A médica e ativista Tânia Rodrigues construiu uma das trajetórias mais emblemáticas da política niteroiense e fluminense ao transformar sua vivência pessoal com a deficiência física em um projeto público de defesa dos direitos das pessoas com deficiência (PCDs). Reconhecida pela atuação firme, pela capacidade de articulação e pela sensibilidade social, Tânia se tornou referência ao longo de décadas de vida pública.
Sua entrada na política foi consequência natural de sua militância. Já conhecida pela atuação comunitária e pelo trabalho médico voltado à reabilitação e à inclusão, ela ajudou a fundar a Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef), que se tornaria uma das mais importantes instituições de apoio às PCDs no estado do Rio de Janeiro. A entidade se consolidou como polo de promoção esportiva, reabilitação, formação profissional e integração social, ampliando o alcance da causa que ela sempre defendeu.
A projeção conquistada na Andef a levou à vida institucional. Eleita vereadora em Niterói, Tânia levou para a Câmara Municipal pautas até então invisibilizadas, como acessibilidade urbana, implantação de políticas públicas de reabilitação, criação de centros de referência para PCDs e fiscalização das condições de mobilidade na cidade. Seu mandato foi marcado pela insistência em incluir a temática da deficiência nos debates centrais da administração municipal.
Mais tarde, sua atuação lhe garantiu espaço na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), onde exerceu o cargo de deputada estadual. No legislativo fluminense, ampliou o alcance de suas propostas, defendendo a criação de programas permanentes de inclusão, o fortalecimento das políticas de saúde voltadas à reabilitação e a ampliação de direitos sociais para pessoas com deficiência. Seu trabalho também impulsionou iniciativas de incentivo ao esporte paralímpico e de apoio às famílias cuidadoras.
Tânia Rodrigues consolidou-se como uma das vozes mais firmes e respeitadas na luta pelos direitos das PCDs, sempre pautando sua atuação pelas próprias experiências de vida e pelo compromisso inabalável com a dignidade humana. Sua trajetória política permanece como referência para movimentos sociais, gestores públicos e profissionais da saúde que atuam pela construção de uma sociedade mais acessível e inclusiva.
