Publicidade
Categories: Sem categoria

Niterói, a terra da desordem ampla, geral e irrestrita

Publicidade

Esgotou a minha cota de sacrifício. Fim! Vivo num bairro cujo IPTU é o mais caro, absurdamente caro da cidade, mas a contraprestação de serviços da prefeitura é uma cusparada na cara. Semanas atrás O Globo publicou uma importante matéria sob o título “Estudo mostra que barulho é a queixa que mais ocupa 190 da PM – A cada quatro minutos alguém liga para reclamar do transtorno”.

A reportagem fala do Rio, mas em Niterói é pior. De segunda a sexta-feira, a partir de 8 horas da manhã sou obrigado a conviver com uma máquina de cortar mármore que é acionada num prédio vizinho ao meu. Pelo tempo da obra, ou aquilo virou uma marmoraria ou então é coisa da Petrobrás. O barulho é infernal, torturante e até já pensei em ir lá falar…falar o que: “amigo, tenha civilidade”; “amigo, seja razoável”; “amigo, que tal pegar leve”. Amigo é o cacete! Minha vontade, muitas vezes (quando escrevo, por exemplo) é entrar lá embolachando todo mundo, mas aí  perderia a razão.

Como Niterói não tem fiscalização (como diz um coreano que mora no bairro do Ingá, “isso aqui é a maior suluba, né?”) os caras ficam cortando mármore o dia todo aqui, ali, acolá. E passam as kombis com alto falantes aos berros vendendo e comprando ferro velho, buzinaria alucinante no trânsito lento, bate estacas de prédios que sobem como piranhas desgraças à especulação imobiliária, quatro barangas que vivem se estapeando aos berros de “vou te matar sua fi,…. da p….ta” num prédio atrás do meu, cachorros latindo na coleira, ônibus e caminhões vomitando barulho e fumaça…..e aí, chega o sábado.

Alívio? Nada. A pagodagem e a sertanália começam a fazer suas festinhas nos prédios da vizinhança. Começam sempre com o som cínico mas já incômodo mas relativamente racional. Mandam um mumuzinho, um tiaguinho, mas vão engrossando, aumentando o volume, aumentando, aumentando, passam pra anitta, ludmila e finalmente a baixaria, funk proibidão aos berros sem que ninguém faça NADA. Ninguém não. Eu acabei de ligar para 190 reclamando porque já são oito horas ininterruptas de esporro mas o PM que atendeu disse que não pode fazer nada porque……

Me disseram que existe uma Secretaria de Ordem Pública. Existe? Fui no site da prefeitura de Niterói e está lá a tal secretaria, telefone 2618-0533 mas hoje é sábado e ninguém atende. Aliás, sabem quantas secretarias, autarquias, fundações e similares Niterói tem? 47!

O que fazer? Tudo bem, ir embora daqui é o que todo mundo responde, mas existe outra alternativa? Ou não?

Luiz Antonio Mello

Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.

Recent Posts

Hospital Niterói D’Or celebra 15 anos como referência no Leste Fluminense

Niterói D'Or começou como uma clínica de cirurgia plástica até se transformar em um hospital…

5 dias ago

Da Carmine muda de nome, mas preserva a autêntica comida italiana em Niterói

Carmine prepara a autêntica comida da mamma desde que chegou da Itália Os clientes se…

5 dias ago

Maioria repudia afastamento de Comte da presidência do Cidadania

O niteroiense Comte Bittencourt possui longa trajetória política, já tendo comandado partidos em nível estadual…

2 semanas ago

HUAP faz 75 anos enquanto Niterói aguarda reabertura do seu pronto-socorro

Nas bodas de diamante do Antonio Pedro, Niterói lembra da fase áurea do hospital, símbolo…

2 semanas ago

Gérson Nunes – eterno Canhotinha de Ouro – completa 85 anos bem vividos

Gérson Nunes: Craque, líder e inspiração para gerações por seus passes perfeitos e seu caráter…

2 semanas ago

Beneficiários da Ferj passam a ser atendidos pela Unimed Leste a partir de hoje

Beneficiários da Unimed Ferj precisam trocar suas carteiras pelas da Unimed local / Divulgação A…

2 semanas ago
Publicidade