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Coluna do LAM

Motorista de Uber evita Niterói violenta

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Quem usa Uber em Niterói percebe que aumentou muito a demora dos carros, principalmente depois das seis da tarde. Antes, quando chamavam, os usuários viam no celular os ícones de vários carros nas imediações. Hoje quase nenhum.

Ouvimos vários motoristas do aplicativo que confirmaram a escassez de carros e informaram que a violência em Niterói chegou a níveis insuportáveis, por isso eles fogem para o Rio. Um deles disse que “a violência no Rio é enorme, mas em Niterói a situação está muito pior. Eu já perdi dois carros, no Jardim Icaraí e São Francisco, já fui assaltado num sinal, outros colegas também. Só um louco trabalha em Niterói”.

Com o sumiço dos carros do Uber os táxis começaram a ganhar mais passageiros, mas muitos não trabalham com cartão de crédito. “Eu só ando com uma nota de 50 reais na carteira que é para dar para o bandido em caso de assalto. Para outros pagamentos uso cartão. Mas boa parte dos táxis de Niterói só trabalha com dinheiro e é uma complicação. Tenho que ir ao caixa eletrônico, aturar a reclamação do taxista que não tem troco, enfim, Niterói só piora”, diz uma veterinária nascida na cidade e moradora do Ingá. Em tempo: os táxis também desaparecem depois das oito da noite.

A violência na cidade causa prejuízos em vários setores. Na última terça-feira, pouco depois das nove da noite, os frequentadores de um bar muito popular que fica na rua Tavares de Macedo quase esquina com Álvares de Azevedo foram vítimas de um arrastão. Três bandidos armados com pistolas de grosso calibre e visivelmente drogados levaram tudo dos clientes e do caixa. As imagens das câmeras de segurança mostram o desespero de clientes e funcionários. 

O proprietário do restaurante, que também é dono de um outro bar em Icaraí, contou a Lislane Rottas de O Fluminense que já havia sido assaltado duas vezes no mês passado. Ele revelou que, devido à onda de violência, o movimento já caiu 60%. “Estamos aqui há 30 anos e infelizmente essa violência está complicada demais. Temos muito carinho pelos nossos clientes e muitos deles conhecemos pelo nome. Fiquei muito chateado com essa situação. Levaram tudo de todo mundo. Já não bastasse o meu outro comércio ter sido assaltado várias vezes. Não sabemos a quem recorrer e o que fazer. Queremos que alguma providência seja tomada”, desabafou. 

Com o “toque de recolher”, depois das oito da noite Niterói entra num estado de sítio informal, decretado pelos bandidos que se tornaram donos da cidade. Na área cultural os prejuízos são enormes e muitos espaços tem tentado antecipar o máximo os horários porque depois das oito da noite fica tudo as moscas. “Ninguém está saindo de casa a noite por causa do terror, da violência. Estamos trabalhando com prejuízo porque pouca gente vai ao cinema, ao teatro, sai para comer uma pizza”, comenta um produtor cultural.

“Sair à noite virou um suplício em Niterói. Com medo de roubo eu deixava o carro na garagem e pegava um Uber, mas eles desapareceram a noite o que me força a usar o carro. Para piorar a situação a prefeitura não desliga os sinais e radares a noite, para alegria dos bandidos. Guarda municipal não resolve porque eles tem mais medo dos bandidos do que a gente, tanto que não mexem sequer com os flanelinhas que invadiram a zona sul”, comenta um arquiteto.

É como diz o ditado, inspirado em Stanislaw Ponte Preta: “Em Niterói, urubu voa de costas para não levar um tiro na cara”.

Luiz Antonio Mello

Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.

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