A cidade perdeu uma grande figura da colônia italiana. Morreu aos 93 anos Pietro Polizzo, personagem querido e respeitado, que prestou relevantes serviços à cultura e à circulação de informação, comandando a distribuição de jornais e revistas para cerca de 200 bancas em municípios que vão de Niterói a Búzios.
Seu corpo será velado nesta quarta-feira, dia 24, das 10h às 12h20, na Capela 01 do Parque da Colina.
A trajetória de Pietro é daquelas que honram a história dos imigrantes que ajudaram a construir o país. Ele desembarcou no Rio aos 18 anos, vindo de Paula, cidade da Calábria, para trabalhar como jornaleiro — uma atividade que, no passado, exigia enorme esforço físico e sacrifício diário.
Começou vendendo jornais de casa em casa e em pontos de bonde, até conquistar, há 75 anos, uma banca no tradicional Ponto de Cem Réis, no Fonseca. Dali em diante, construiu uma rede de distribuição que se tornaria referência no setor. Polizzo se orgulhava de levar informação às pessoas, coordenando centenas de bancas em Niterói, São Gonçalo, Maricá, Itaboraí e na Região dos Lagos.
Ele nunca esquecia os tempos difíceis. Recordava as noites em que atravessava de barca, com chuva ou céu limpo, para buscar os exemplares nas oficinas dos jornais do Rio. “Carregávamos os fardos nos ombros e seguíamos direto para as bancas”, contava. A rotina só ficou menos pesada com a inauguração da Ponte Costa e Silva, quando as empresas passaram a entregar os jornais em Niterói, de kombi ou caminhão, recolhendo também o encalhe do dia anterior.
Pietro dizia sentir “o cheirinho da tinta do jornal impregnado no nariz e na alma”.
Figura querida e de grande liderança, fundou o Clube Italiano, que reunia não apenas imigrantes e descendentes, mas também personalidades de fora da categoria, como o jornalista Roberto Marinho, de O Globo, e o ex-prefeito e ex-governador Moreira Franco.
Pietro Polizzo foi uma peça rara. Um símbolo da colônia italiana e da categoria dos jornaleiros, que se orgulhava de representar. Veio de longe, de um país amigo, para prestar um serviço inestimável à terra de Araribóia, ajudando a formar gerações de leitores.
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