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Monumento de Niemeyer vira um ‘puxadinho’ da prefeitura de Niterói

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Fundação Niemeyer vai virar dormitório da Guarda Municipal. Já é endereço de cinco órgãos da prefeitura.

Quando Niemeyer projetou o Caminho que leva seu nome ele decidiu prestar uma homenagem a Niterói colocando na cidade a Fundação Oscar Niemeyer como um legado de todo o seu trabalho. Hoje, seu monumento está transformado em endereço de fachada de cinco órgãos municipais, dentre os mais de 60 que incham a máquina da administração municipal. E ainda vai virar refeitório e dormitório para 40 guardas municipais, segundo anuncia a prefeitura.

O que era para ser o monumento mais importante de Niterói se transforma num “puxadinho” da prefeitura, sem nenhum respeito pelo patrimônio de sua população. Sem falar no desrespeito maior à obra de Niemeyer, aquele que, segundo Darcy Ribeiro, foi o mais genial brasileiro nascido em 500 anos de nossa história.

O espaço destinado à Fundação Niemeyer deveria servir para, além de guardar os documentos pessoais, arquivo e plantas de todas as obras do arquiteto espalhadas pelo Brasil e pelo mundo, que ali funcionasse uma Faculdade de Arquitetura “com viés humanístico”.

O que se vê, por desprezo da prefeitura com a obra de Niemeyer, é que o endereço passou a ser o supremo monumento à máquina inchada e ao desperdício de dinheiro público, sem nenhum proveito para o conjunto de habitantes de Niterói, tida, com orgulho, como a segunda cidade com mais obras de Oscar Niemeyer.

Estão com endereço no prédio da Fundação Niemeyer, além do Grupo Executivo responsável pela gestão do Caminho, os seguintes órgãos municipais: Secretaria de Ciência & Tecnologia e Inovação; Subsecretaria de Promoção da Igualdade Racial; Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura; CODIM – Coordenadoria de Políticas e Direitos das Mulheres; e o setor de arquivo de plantas da Secretaria de Urbanismo.

O Caminho Niemeyer começa no MAC, passa pelo Reserva Cultural, Praça JK, incluiria a nova Estação das Barcas, um novo Terminal João Goulart e uma grande Catedral, indo até o Teatro Popular, Memorial Roberto Silveira e, concluindo o Caminho, a Fundação Oscar Niemeyer. O arquiteto deixou prontos e detalhados todos estes projetos.

Gilson Monteiro

Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.

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