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Ministério da Segurança ou de política?

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Enquanto dois homens com um carro roubado eram presos por policiais militares na Avenida Roberto Silveira, em Icaraí, na noite de quinta-feira (15/02), o Jornal Nacional reportava uma reunião dos ministros Raul Jungman (Defesa) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) com o governador Pezão. Horas depois, o Jornal da Globo informava que o presidente Temer está criando um Ministério Extraordinário da Segurança Pública.

Nessas mesmas horas da noite de ontem, as redes sociais registravam que um homem teve sua moto roubada no Barreto; no Ingá, dois bandidos assaltavam de moto na Rua Fagundes Varela, e moradores da Joaquim Távora, em Icaraí, escutavam troca de tiros. Muitas outras ocorrências se repetiam anonimamente pela cidade.

Nem todos os crimes são registrados na Polícia Civil. As vítimas sabem que nas delegacias têm que enfrentar um calvário até a conclusão de um simples Boletim de Ocorrência. Muitas DPs sequer têm papel para imprimir o documento. A Polícia Civil pouco investiga, seja por falta de pessoal ou de recursos materiais (em geral falta combustível para movimentar viaturas caindo aos pedaços), e a Polícia Militar pouco consegue cumprir seu papel preventivo.

De um modo geral, a PM aparece depois que um crime já foi perpetrado. Seus comandantes justificam a falta de policiamento em áreas onde assaltos são frequentes porque, sem ocorrências registradas na Polícia Civil, a Militar não sabe onde está “a mancha criminal”…

Um ministério da Segurança Pública, a esta altura do campeonato em que os bandidos estão dando de goleada na polícia, que estão muito bem armados e cada vez mais ousados diante da certeza da impunidade, será mais uma atitude política do governo em ano eleitoral.

Há quatro décadas, o antropólogo Darcy Ribeiro advertia que, “se os governadores não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios”. E não deu outra. Por mais que governadores e prefeitos construam prédios escolares, eles deixaram a situação se esfarinhar como um giz premido contra o quadro negro da Educação.

Não basta somente polícia nas ruas. Isto é importante, mas não o suficiente. O crescimento desordenado, assim como a falta de recursos básicos para a garantia da cidadania plena, através de políticas sociais, educacionais e de saúde públicas eficientes e eficazes provocam o crescimento desordenado de cidades inteiras, ao mesmo tempo em que políticos oportunistas anunciam soluções fakes.

Se de Brasília Michel Temer promete uma solução ministerial para atacar a barbárie que se instalou na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, o prefeito Rodrigo Neves também não perde a deixa e promete colocar mais 100 agentes de seu programa de vigilância nas ruas de Niterói.

Um ministério só, por mais extraordinário que venha a ser, não será capaz de produzir algo mais além de manchetes de jornais. O programa Niterói Mais Segura, de Rodrigo Neves, também joga para a arquibancada, uma vez que funciona apenas de dia, empregando policiais militares que deveriam estar de folga, mas cumprem turno extra fora de seus batalhões.

Melhor seria termos uma polícia bem preparada, bem paga e obediente a comandos firmes, sujeita a corregedorias atentas. Do contrário, temos que concordar com o ministro Moreira Franco quando este diz nos jornais de hoje que “o governador (Pezão) perdeu o controle da situação”.

Gilberto Fontes

Repórter do cotidiano iniciou na Tribuna da Imprensa, depois atuou nos jornais O Dia, O Fluminense (onde foi chefe de reportagem e editor), Jornal do Brasil e O Globo (como editor da Rio e dos Jornais de Bairro). É autor do livro “50 anos de vida – Uma história de amor” (sobre a Pestalozzi), além de editar livros de outros autores da cidade.

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