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Loja inaugurada em Niterói vira notícia no mundo devido a rombo de R$ 20 bi

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As Americanas atraiam muitos consumidores com o lema de “nada além de 2 mil réis”

A Lojas Americanas, hoje no noticiário nacional e internacional devido a um rombo de R$ 20 bilhões em seu balanço contábil, foi fundada em 1929 em Niterói. No pregão da Bolsa de Valores desta quinta-feira, as ações da empresa estão sofrendo uma desvalorização que, segundo analistas do mercado financeiro, pode chegar a 75% hoje.

A empresa foi fundada em 1929, pelos americanos John Lee, Glen Matson, James Marshall e Batson Borger que partiram dos Estados Unidos em direção a Buenos Aires a fim de abrir uma loja no estilo Five and Ten Cents (lojas que vendiam mercadorias a 5 e 10 centavos de dólar). A ideia era lançar uma loja com preços baixos, no modelo que já fazia sucesso nos Estados Unidos e na Europa no início do século. Seu slogan foi, então, “nada além de 2 mil réis”.

A tempestade financeira começou com a renúncia na terça-feira do CEO da empresa, Sergio Rial, há apenas dez dias no cargo. Ele resolveu sair depois de ter sido descoberta uma “inconsistência” contábil no balanço da companhia da ordem de R$ 20 bilhões. Embora as informações sejam preliminares, a detecção do rombo prenuncia um escândalo em uma das maiores varejistas da América Latina e deve comprometer a recuperação de um papel que acumula perda de quase 60% em um ano na Bolsa.

No fato relevante divulgado pela Americanas, a companhia disse que as inconsistências foram encontradas “em lançamentos contábeis redutores da conta fornecedores realizados em exercícios anteriores”. A empresa disse que operações de financiamento de compras realizadas junto a bancos simplesmente não aparecem no último balanço da empresa.

Nada além de 2 mil réis

No navio em que viajavam dos Estados Unidos para Buenos Aires, John Lee, Glen Matson, James Marshall e Batson Borger conheceram os brasileiros Aquino Sales e Max Landesman que os convidaram para visitar o Rio de Janeiro. Logo os americanos perceberam que havia muitos funcionários públicos e militares com renda estável, porém com salários modestos, e a maioria das lojas não era destinada a esse público. As lojas existentes, em geral, vendiam mercadorias caras e especializadas, o que obrigava uma dona de casa ir a diferentes estabelecimentos para fazer as compras.  

Foi assim que decidiram que o Rio de Janeiro era a cidade perfeita para lançar o sonhado empreendimento – uma loja de preços baixos para atender àquela população “esquecida” e que vendesse vários tipos de mercadorias. Eles desejavam oferecer uma maior variedade de produtos a preços mais acessíveis. Assim, em 1929, inauguraram a primeira Lojas Americanas, em Niterói (RJ), com o slogan “Nada além de 2 mil réis”. Durante a primeira hora de funcionamento, nenhum cliente apareceu. 

O fracasso parecia iminente.  No entanto, a história registra que uma garotinha, após passar minutos olhando a vitrine, entrou e comprou uma boneca. A Lojas Americanas conquistava, assim, seu primeiro cliente, dos muitos que viriam depois. No final do primeiro ano, já eram quatro lojas: três no Rio e uma em São Paulo. Em 1940, Lojas Americanas se tornou uma sociedade anônima, abrindo assim seu capital.

Em 2021, a companhia se fundiu com a B2W, empresa do comércio eletrônico que já operava diversas plataformas, incluindo o site Americanas.com, e deu origem ao conglomerado Americanas S.A. que abrange tanto o comércio físico quanto o virtual.

Atualmente, a holding também concentra as operações de lojas como Submarino, Shoptime e Soub! (Sou Barato), além da fintech Ame Digital, a plataforma de logística Let’s e a Mais Aqui, que opera com crédito, seguros, cartões de conteúdos, serviços e venda assistida. Em 2022, foi fundada a Americanas Entrega, com soluções para os comerciantes que operam nos marketplaces da companhia.

Gilson Monteiro

Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.

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