
A disputa pelo comando do partido Cidadania ganhou novo capítulo nesta semana. O desembargador Rômulo de Araújo Mendes, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), concedeu liminar suspendendo os efeitos da reunião do Diretório Nacional realizada em 24 de fevereiro e do congresso nacional do partido, promovido em 4 de março, em São Bernardo do Campo. Com a decisão, fica validado o congresso realizado em 6 de março, que reconduziu o niteroiense e ex-deputado estadual do Rio de Janeiro, Comte Bittencourt, à presidência da Executiva Nacional.
Segundo o magistrado, 63% dos membros do Diretório não participaram da reunião extraordinária de fevereiro, o que inviabiliza a convocação do congresso de março, já que o estatuto da legenda exige maioria absoluta para esse tipo de deliberação. Com isso, também foram suspensas as decisões tomadas no encontro de São Bernardo, incluindo a eleição do deputado federal Alex Manente (SP) para a presidência do partido.
No congresso validado pela Justiça, realizado em Brasília, 64 delegados de 20 estados garantiram o quórum mínimo exigido. O evento reuniu 570 participantes e elegeu um novo Diretório Nacional com 101 membros. Além de Comte, a Executiva passou a contar com nomes históricos da legenda, como a ex-deputada Luzia Ferreira (MG) e o ex-senador Cristovam Buarque.
Em declaração após a decisão, Comte afirmou que o partido “retoma a normalidade democrática” e destacou que prevaleceu a vontade da maioria do Diretório Nacional.
O impasse sobre a liderança do Cidadania começou em agosto de 2025, quando Roberto Freire, afastado da Executiva em 2023, retornou ao comando da sigla por decisão judicial. Na ocasião, a Justiça determinou que fosse realizada reunião do Diretório para definir a composição da Executiva. O grupo majoritário, no entanto, não reconheceu a legitimidade do congresso convocado por Freire e organizou novo encontro, que acabou validado agora pelo TJDFT, consolidando Comte Bittencourt na presidência nacional.
