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Coluna do LAM

A inutilidade pública da Nittrans, a Niterói sem fantasia

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Basta olhar para a anarquia do trânsito de Niterói para perceber a inutilidade pública da Nittrans, Niterói Transporte e Trânsito – sociedade de economia mista que tem como acionista majoritário o Município de Niterói.

Inimiga número um da população que tem carro, a arrogante, truculenta e incompetente Nittrans nada faz pela mobilidade. Seus guardas mal treinados apenas contemplam (quando não estão se divertindo, teclando o celular) o oceano de veículos parados. Não tomam qualquer providência nem quando alguém bloqueia um cruzamento provocando congestionamento, sinfonia de buzinas. Caso de multa? Sim. Mas os agentes nada fazem.

A maior especialidade do exército da Nittrans é aumentar os lucros da indústria dos reboques. Por isso, os usuários do Facebook ficaram chocados, dia 13, com a imagem de um homem chorando abraçado ao seu carro rebocado na rua Soares de Miranda, no Fonseca. Desumanidade, falta respeito, arrogância extrema, o rebocador ignorou o lamento do homem, um trabalhador, e mostrou a perversidade da Nittrans.

De acordo com reportagem de Daniela Scaffo, do site Niterói Enfoco “segundo testemunhas, o motorista do veículo, modelo Uno branco, teria deixado o carro em cima da calçada da via e ido até uma loja de materiais de construção para comprar itens. Quando voltou, o carro já estava sendo rebocado pelo caminhão que presta serviços para a Niterói Transporte e Trânsito (Nittrans). Pedestres e motoristas presenciaram o fato e acabaram comovidos e revoltados com a situação, mas ficaram calados com medo de vingança. O motorista do carro chegou a pedir para o rebocador descer o veículo do caminhão, mas não foi atendido. O homem seguiu todo o percurso chorando em cima do caminhão e pedindo para liberarem o Uno.”

Desconheço e repudio essa Niterói arrogante, desumana, covarde, perversa simbolizada por essa cena protagonizada pela Nittrans. Daí os boatos de que os reboques (particulares) trabalham com uma meta diária de faturamento que tem que ser batida, custe o que custar.

A história mostra mais injustiças. “Na mesma calçada, um caminhão que também estava estacionado nas mesmas condições, segundo moradores, não sofreu qualquer infração.”

“Eles multam e rebocam direto carro particular nessa rua. Motoristas de caminhão, no entanto, param com quatro rodas na calçada, impedindo que uma mãe passe com carrinho de bebê, e não sofrem nada, nenhuma multa”, disse um morador que pediu para não ser identificado com medo de sofrer com as covardes represálias da Nittrans. “Tenho medo…tenho filho pequeno…”.

Não precisa ir longe. A poderosa Nittrans que reboca o carro de um cidadão e ignora caminhões que cometiam a mesma infração, faz vista grossa, por exemplo, para as motocicletas que cortam a cidade em alta velocidade com o escapamento cortado (é ilegal). Para a Nittrans, a poluição sonora que danifica a saúde dos contribuintes não significa nada porque, do alto de sua onipotência, o contribuinte é um zero à esquerda. A “empresa” também finge que não vê motos subindo em calçadas, fazendo zigue e zague. Domingo a noite, um bando de mais de 20 delas, todas sem silenciosos, cortou Icaraí, São Francisco e Charitas, em alta velocidade. Os motociclistas não foram molestados porque, pela lógica dos covardes, é mais cômodo garfar um cidadão pacato e do bem.

Com certeza a Nittrans será um dos mais fortes cabos eleitorais da oposição ao candidato do prefeito na eleição de 4 de outubro, quando 380 mil cidadãos vão entrar nas silenciosas e intimistas cabines eleitorais para digitar toda a sua revolta e indignação.

A Nittrans precisa ser extinta.

Luiz Antonio Mello

Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.

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