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Cléia Loretti aos 99 anos: uma vida de amor, memória e história em Niterói

Escrito por Gilson Monteiro às 14:14 do dia 8 de junho de 2026
Sobre: Rumo ao centenário
  • Cléia Tavares Loretti, Niterói
08jun
Claudia, César e Clarice celebrando os 99 anos da mãe, Cléia Loretti

Os 99 anos da matriarca Cléia Tavares Loretti foram comemorados em grande estilo na casa que, no passado, foi movimentada pelo mundo político, jurídico, intelectual e por muitos amigos. É ali, no Ingá, bairro de Niterói que já sediou o Executivo fluminense, onde ela mora há 97 anos.

Ainda jovem, com forte vocação para a música, chegou a dar aulas de piano para o famoso músico niteroiense de projeção internacional Sérgio Mendes. Foi também professora de Educação Física e jogadora de vôlei. Mas essa mulher inteligente e de estilo simples casou-se aos 19 anos com o desembargador Jorge Loretti e preferiu dedicar-se de corpo e alma à família: os três filhos — a advogada Claudia, a engenheira Clarice e o médico Cesar — além dos cinco netos e cinco bisnetos.

Ela diz que se sente feliz e alegre com a casa cheia e não abre mão da presença dos netos e bisnetos no almoço mensal, para o qual sempre escolhe um menu especial.

Cléia, dona de uma memória prodigiosa, lembra com nitidez da agitada trajetória do marido, que ocupou cargos de grande relevância na administração pública civil e jurídica.

Jorge Loretti, ainda jovem, foi chefe de gabinete de Roberto Silveira, que morreu em um acidente de helicóptero em Petrópolis. Eram tão amigos que o governador deu ao filho o nome de Jorge Roberto — ex-prefeito de Niterói — em sua homenagem.

Depois, Loretti ocupou o mesmo cargo com Badger da Silveira, que foi cassado pela Revolução. Tornou-se professor de Economia e, posteriormente, de Direito da UFF, onde presidiu o Conselho Universitário por muitos anos.

Dono de inteligência e oratória invejáveis, além de vasto saber jurídico, foi desembargador na vaga do quinto constitucional da advocacia, presidindo a 5ª Câmara Cível e o 4º Grupo de Câmaras. Também presidiu o Tribunal de Justiça (1991–1992), o TRE (1989–1991) e a Amaerj (1994–1995). Exerceu ainda a Secretaria de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e era imortal da Academia Fluminense de Letras.

Dona Cléia lembra que o marido gostava de chamá-la ao escritório para que ele lesse em voz alta suas petições, decisões ou trabalhos, perguntando muitas vezes o que a esposa-conselheira havia achado. Diz que essa convivência de uma vida inteira com um marido amado e de vasta cultura, somada à família maravilhosa, unida e sempre presente, são os motivos pelos quais se sente bem, alegre e feliz na caminhada rumo aos 100 anos.

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Gilson Monteiro
Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.
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One thought on “Cléia Loretti aos 99 anos: uma vida de amor, memória e história em Niterói”

  1. Parabéns professora Cleia. Quantas manhãs ao me aconselhar com Doutor Jorge Loretti, era sempre recebido com carinho e generosidade. Parabéns. Adroaldo e Maria do Carmo

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