Miltão deveria ocupar o imaginário cargo de “Ouvidor Existencial” pela maneira generosa e sábia que trata dos desabafos dos amigos. Ficamos conversando sobre as ondas gigantes dessa vida que procuramos surfar com coragem, mas às vezes temos que recuar para bem longe da arrebentação e esperar um swell. Segundo o dialeto do surfe, swell uma ondulação no mar contínua e sem correntezas. Mar liso, limpo.
Depois nos juntamos a um pequeno grupo e o assunto passou a ser Niterói. Entre as pessoas estava o Júlio, cineasta que defende um tratamento urbanístico decente para a região de Jurujuba (FOTO). Concordei. Jurujuba é um lugar lindo, vítima da insana poluição da Baía de Guanabara, mas que poderia estar bem melhor. Afinal, são raros os lugares com ângulos visuais tão especiais e surpreendentes.
Aproveitei e defendi a urbanização da Praia de Itaipu, também histórica, que merecia um bom tratamento e brilhar como ponto turístico de importância para a cidade. Algo como uma mini Ferness, pequena e bucólica cidade na costa da Escócia que tem tudo a ver.
Inspirados, todos falamos de tudo, da fuga da Corte portuguesa para o Brasil, em 1808 (quilômetro zero da corrupção crônica do país), explosão populacional, candidatos bizarros as eleições, cinema, revoluções, paz, amor, música. E como sempre acontece nos bons e fraternos bares, “resolvemos” todos os problemas do mundo e fomos embora, com a sensação de desabafo feito.
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