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Assistência Social gasta milhões em Niterói, onde a privação cresce nas ruas

Escrito por Gilson Monteiro às 18:49 do dia 10 de junho de 2021
Sobre: Desalentador
  • população de rua
10jun

população de ruaA população de rua aumenta a cada dia em Niterói. Em praticamente todos os bairros ocupa calçadas, praças e canteiros. Não tem casa, comida, nada. A Secretaria Municipal de Assistência Social, que na atual gestão acrescentou a Economia Solidária a seu programa, conta com mais de R$ 103 milhões empenhados no orçamento deste ano. Já gastou R$ 65 milhões, segundo o Portal da Transparência.

“Moço, paga um pão pra eu comer?” – apela o pedinte no sinal de trânsito. Nos gabinetes oficiais, corre um processo de compra de “material permanente visando atender o Plano de Ação de Execução de Ações Socioassistenciais – COVID-19”.

Embaixo de marquises, como na Rua Capitão Zeferino, no coração de Icaraí (foto), vivem homens, mulheres e crianças. A secretaria vai gastar R$ 342 mil com a compra de mobiliário e eletroeletrônicos, conforme o pregão 011/2021. Diz que as compras são para “garantir moradia, condições de repouso, espaço de estar e convívio, guarda de pertences, lavagem e secagem de roupas, banho e higiene pessoal de pessoas em situação de rua”. A secretaria tem apenas 240 vagas em cinco unidades de acolhimento e em um hotel arrendado, informa o site da prefeitura.

A pasta tem 73 assistentes sociais efetivos e mais 380 contratados em regime temporário. Conta também com 39 psicólogos e 16 cuidadores sociais, além de uma penca de assessores nomeados em cargos comissionados. Mas a Assistência Social não parece dar conta de sua missão, pelo que se vê nas ruas de Niterói.

população de ruaA cidade já foi a quarta em qualidade de vida. Hoje ocupa o 85° lugar do Índice Brasileiro de Privação (IBP), calculado pela Fundação Fiocruz. O indicador mede as desigualdades sociais em relação à renda, escolaridade e condições de moradia.

Estigmatizadas, as pessoas em situação de rua são criminalizadas em sua maioria por muitos daqueles que não os querem enxergar. Na burocracia da Assistência Social, contudo, são um prato cheio.

Não faltam siglas (nem empregos públicos) como o CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social), SUAS (Sistema Único de Assistência Social), Congemas (Colegiado Nacional de Gestores de Assistência Social), e muitos mais.

Em todos os níveis, do federal ao municipal, o que deveria ser uma política pública garantida pela Constituição de 88, vira tema de infindáveis encontros, congressos, conferências e pesquisas acadêmicas.

Este ano, a conferência nacional terá como tema “Assistência Social: Direito do povo e Dever do Estado, com financiamento público, para enfrentar as desigualdades e garantir proteção social”.

Nas portas da cidade, do lado de fora dos gabinetes oficiais, continua apelando o pedinte: “Moço, me paga um pão?”

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Gilson Monteiro
Gilson Monteiro
Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.
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10 thoughts on “Assistência Social gasta milhões em Niterói, onde a privação cresce nas ruas

  1. Trabalho com resgate de moradores de rua, não vejo muito a pref fazer naaaaada, psicólogo já tentei p eles mil vezes, minha igreja leva oalavra e resgata, sustentamos o local onde internados, trabalhar eles nao querem, dizem que tem 5 refeições nas ruas e auxilio governo, enfim cadê o trabalho da prefeitura?????

  2. VERGONHA ! NITERÓI UMA CIDADE RICA COM UM DOS IPTUS MAIS CAROS DO BRASIL INVESTE POUCO NESSA TRISTEZA DO POVO QUE VIVE NAS RUAS MUITAS DAS VEZES PESSOAS QUE FICARAM DESEMPREGADAS E NÃO TIVERAM MA8S CONDIÇÕES DE PAGAR ALUGUEL.

  3. A verdade? Poucos são de Niterói.

    A maioria vem “tentar a vida” na abastada e bem falada Niterói. Onde as pessoas aceitam e contribuem com os moradores. Essa é a grande verdade. Falo com propriedade, pois morava em um prédio que fica em frente a um destes pontos e muitas vezes os próprios moradores perguntavam de onde eles eram…

  4. A Constituição garante direito à moradia digna a todos os cidadãos, independentemente de terem ou não condições financeiras para tal. Por condições dignas, entende-se em local apropriado e seguro (contra condições climáticas, por exemplo), com infraestrutura de águas e esgotos, energia elétrica, telecomunicações, transporte coletivo, com acesso à lazer e cultura, saúde, educação, e demais aspectos. Na prática, este direito tem sido assegurado? Ao mesmo tempo, a especulação imobiliária corre solta; Investidores detêm centenas de imóveis, sem nenhuma tributação adicional por acúmulo de bens imóveis (uma distorção do nosso sistema tributário); há milhares de imóveis ociosos e devedores de impostos em áreas centrais de todas as cidades do país, sem que o poder público atue para desapropriá-los, o que fere o conceito constitucional de direito à propriedade privada.

    Em síntese: as leis tributárias não coíbem o acúmulo desproporcional de imóveis, e os imóveis sem utilização não são desapropriados para que possam cumprir seus fins sociais. Na prática, o país é feito para beneficiar quem tem bens e dinheiro, excluindo milhões de pessoas e as abandonando a sua própria sorte. Se temos real interesse em alterar esse quadro, precisamos urgentemente refazer diversas leis e exigir seu cumprimento. Mas onde estão os canais onde a população pode discutir esses temas? Como pressionar os Três Poderes a cumprir as leis? Aliás, alguém se esforça para cumprir as leis?

  5. Infelizmente a situação é de desespero. Nunca vi a cidade com tantas pessoas em dificuldade como agora. Crise sanitária sim, mas a prefeitura não é capaz de ter uma ação de real impacto. A visão é que ações deste tipo não gerem futuros votos, aplausos e belas capas de jornais. Somos uma cidade que concentra uma alta renda, o que gera um caixa super gordo para prefeitura e nada é feito. Não é de ser surpreender ao ver amigos indo morar na Barra da Tijuca, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Portugal e Miami em busca de uma qualidade de vida que já não existe em Niterói.

    Niterói vive pela fama e das glórias do passado! “Presente estranho e futuro tenebroso.”

    1. Realmente é desesperador!
      E muito ñ são de niteroi,são do rio e cidades vizinhas.
      O que torna ainda pior.😔👍

  6. Esse povo precisa de trabalho. Ações que levantassem a moral deles com remuneração e comida (2 refeições) no bandejão popular. Poderia ser um galpão onde aprenderiam a fazer varios trabalhos manuais (carpintaria, pedreiro, eletricista, ceramica, tecelãs, costuras, etc…). Também receberiam.doacoes diversas como roupas, material de higiene, etc.. Precisamos.ajuda-los a se levantar e ter dignidadr e não esperar esmolas.

  7. O Rotary Club de Niterói Norte distribuiu40 cesta básicas e 35 cobertores para a Pastoral de Acolhimento Social da Paróquia São Francisco, Capela do Imaculado Coração de Maria e 90 cobertores para a Comunidade da Grota. Estamos à disposição para ajudar àqueles que necessitam.

    1. Gente aqui em Sta.Rosa, Niterói vieram vários carros da prefeitura, desmontaram tudo, as cabanas, lavaram e fizeram a desinfecção dos locais, eles ñ queriam ir com eles. Uns aceitaram outros falaram que voltariam. É muito difícil. Eles ñ querem sair das ruas. Usam drogas. Tenho pena, vejo crianças e mulheres,mais quando passamos eles gritam, dá medo! Pq estão a base de drogas e bebidas alcoólicas. É muito difícil. Eu ñ passo a noite por lá.

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