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Apagão ultrapassa 72 horas em prédios de Niterói e expõe falhas da Enel

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Dois prédios da Presidente Pedreira, no Ingá, onde residem muitos idosos, estão sem energia elétrica desde as 17h de quarta-feira

Passados três dias do vendaval que atingiu o Rio de Janeiro e Niterói na tarde de 29 de julho, moradores de diversos edifícios da Zona Sul niteroiense continuam enfrentando a falta de energia elétrica e acusam a Enel de omissão diante de uma situação que já afeta a rotina, a segurança e até a saúde de idosos e pessoas vulneráveis.

Na Rua Presidente Pedreira, no Ingá, os edifícios Palazzo Darco, nº 156, e Nilo Peçanha, nº 142, permanecem sem fornecimento de energia desde as 17h de terça-feira (29). Segundo os moradores, toda a rede elétrica da via foi restabelecida por volta das 19h do mesmo dia, à exceção desses dois prédios, que seguem no escuro sem qualquer solução definitiva.

O problema também se repete na Praia de Icaraí. Os moradores do edifício Maison La Plage, na Avenida Jornalista Alberto Francisco Torres, nº 319, estão sem energia desde o mesmo horário e alertam para uma situação cada vez mais crítica. Com a bomba d’água desligada por falta de eletricidade, a reserva do prédio está se esgotando e o abastecimento de água pode ser interrompido a qualquer momento.

A preocupação é ainda maior porque o edifício abriga diversos idosos que dependem de aparelhos respiratórios e outros equipamentos médicos. Uma moradora idosa, segundo relato dos vizinhos, precisou ser levada para a casa da filha após passar mal durante o apagão. Os moradores fazem um apelo dramático à concessionária para que o fornecimento seja restabelecido imediatamente.

No Ingá, a advogada Daniela de Paula já registrou, desde o início da interrupção, dez protocolos de solicitação de reparo e religação. De acordo com os relatos, uma equipe da Enel chegou a comparecer ao local ainda na quarta-feira, mas o problema não foi resolvido. A suspeita seria o rompimento de um cabo de energia. Entretanto, segundo os moradores, os técnicos alegaram não possuir o material necessário para o reparo nem condições de acessar a rede elétrica, já que o veículo utilizado não dispunha de cesto elevatório e a intervenção não poderia ser realizada por escada.

A advogada também está recorrendo ao Procon e ao Ministério Público em razão da omissão da concessionária e do impacto da situação sobre moradores idosos do edifício, entre eles sua mãe, portadora do mal de Parkinson, que vem sendo diretamente prejudicada pela prolongada falta de energia elétrica.

Prazo descumprido

O caso expõe uma situação que vai além dos transtornos provocados pelo temporal. A Resolução nº 1.000/2021 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estabelece prazo máximo de quatro horas para religação de urgência em situações de interrupção decorrentes de força maior. Para religações normais em áreas urbanas, o prazo previsto é de até 24 horas. Em ambos os cenários, os moradores afetados já ultrapassaram, com larga margem, os limites estabelecidos pela regulamentação.

A demora reforça as críticas recorrentes à qualidade do serviço prestado pela Enel no estado do Rio de Janeiro. Em 2016, quando assumiu compromissos de modernização da rede, a empresa prometeu melhorias significativas na distribuição de energia ao longo dos anos seguintes. Quase uma década depois, porém, a percepção de muitos consumidores é oposta: a concessionária demonstra dificuldade até mesmo para responder a ocorrências localizadas e restabelecer o serviço em tempo razoável.

A indignação cresce porque não se trata apenas de um evento climático extremo. Para muitos moradores, os apagões têm se tornado frequentes, repetindo-se mesmo em episódios de chuva de baixa intensidade, o que levanta questionamentos sobre a manutenção preventiva da rede e a capacidade de resposta operacional da empresa.

Diante de mais um episódio de prolongada interrupção de energia, aumenta a cobrança para que a Aneel adote medidas mais rigorosas de fiscalização. Afinal, uma concessionária que arrecada bilhões de reais em um mercado cativo e pratica tarifas consideradas elevadas pelos consumidores não pode tratar como rotina a demora de dias para solucionar problemas que afetam diretamente a vida de milhares de pessoas. O que se vê em Niterói é um retrato preocupante da distância entre as obrigações assumidas pela distribuidora e o serviço efetivamente entregue à população.

Gilson Monteiro

Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.

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