
A Universidade Federal Fluminense (UFF) terá novamente à frente da reitoria o professor Roberto Salles, escolhido pela comunidade acadêmica após a vitória da chapa UFF Viva em dois turnos do processo eleitoral interno. A eleição consolidou uma ampla coalizão de apoio entre docentes, técnicos-administrativos e estudantes, garantindo à chapa liderança tanto na fase inicial quanto no segundo turno decisivo.
Ao lado da vice-reitora eleita, Luciana Freitas, Salles retorna ao cargo que já ocupou entre 2006 e 2014, período marcado pela expansão da universidade no interior do estado e pela implementação de políticas de inclusão, como as decorrentes do programa Reuni. Agora, o desafio, segundo o próprio reitor eleito, é de reconstrução, após anos de restrições orçamentárias e perda de capacidade institucional.
Mesmo com a posse marcada apenas para dezembro, a nova gestão sinaliza que não aguardará a formalização do mandato para iniciar articulações. A prioridade imediata será a recomposição do orçamento da universidade e a valorização dos seus quadros, com atuação direta em Brasília junto ao governo federal, ao Congresso e a uma frente parlamentar que apoiou a candidatura.
Outro ponto central já destacado pela futura gestão é o fortalecimento do Hospital Universitário Antonio Pedro (HUAP), considerado componente estratégico tanto para o ensino quanto para a assistência à população. Salles e Luciana Freitas afirmam que o hospital será uma das principais frentes de atuação desde o início do mandato, com o objetivo de retomar sua plena capacidade de atendimento e seu papel como unidade essencial do Sistema Único de Saúde (SUS) na região metropolitana.
Antes mesmo da posse, prevista para dezembro, o reitor eleito da Universidade Federal Fluminense (UFF), Roberto Salles, já delineia as principais diretrizes de sua futura gestão. Em entrevista à Coluna, ele detalha prioridades imediatas — que vão da recomposição orçamentária à permanência estudantil e ao fortalecimento da presença regional da universidade —, além de destacar o papel estratégico do Hospital Universitário Antonio Pedro e a articulação política para ampliar recursos e parcerias.
Quais são suas prioridades?
Temos 3 prioridades imediatas:
a) Recomposição orçamentária e valorização das pessoas.
Não vamos esperar a posse que ocorrerá apenas em dezembro, de imediato buscaremos em Brasília junto ao governo federal e ao Congresso a recomposição orçamentária e valorização de pessoas, visando, em especial, fazer com que se cumpra o acordo com os servidores técnico-administrativos. Além disso, pleitearemos bolsas reajustadas, concursos para reduzir a sobrecarga e um plano de obras emergenciais nos campi da universidade. Contamos, para isso, também com a ampla frente parlamentar progressista que nos apoiou nessas eleições.
b) Permanência estudantil:
Uma das nossas maiores prioridades durante o próximo quadriênio será atender as reivindicações estudantis com a ampliação dos restaurantes universitários, moradia estudantil, reposição e melhorias da frota de ônibus intercampi (bussuff), auxílio creche e atenção à saúde mental. Ninguém pode abandonar a UFF por falta de condições materiais e apoio institucional. Somente assim conseguiremos efetivar e ampliar as políticas afirmativas de popularização da nossa universidade, iniciadas por nós, através do Reuni, em gestão anterior.
c) Inserção regional:
Fazer a UFF ser indutora de desenvolvimento em Niterói, Volta Redonda, Campos, Macaé, Santo Antônio de Pádua, Angra dos Reis, Rio das Ostras, Nova Friburgo e Petrópolis, cidades onde atuamos. A UFF tem um papel fundamental no desenvolvimento social, econômico e cultural de diversos municípios fluminenses. Vamos valorizar essa presença com a criação de uma pró-reitoria voltada à integração, cooperação e desenvolvimento de ações nos campi fora de Niterói.
O Antônio Pedro é uma das metas principais?
Sem a menor dúvida, o Hospital Universitário Antônio Pedro é uma das nossas maiores prioridades. O HUAP é central, pois é nossa maior unidade de ensino, pesquisa e assistência do Estado do Rio. Por isso, nossas metas principais são: concluir a reestruturação do hospital, implantar uma gestão participativa com controle, fiscalização e exigência de cumprimento das metas do contrato com a EBSERH, além de retomar serviços como as cirurgias eletivas represadas e ampliar o número de leitos, sempre fortalecendo sua função de hospital-escola como parte essencial do SUS na região metropolitana.
Vai buscar parcerias com todas as Prefeituras?
Com certeza. Vamos retomar o diálogo com as gestões municipais e instituir uma Pró-Reitoria de Multicampia com foco municipalista. A UFF está presente em nove cidades. Queremos firmar convênios para estágio, residência, extensão e pesquisa aplicada em áreas como educação, saúde, meio ambiente e tecnologia. Parceria boa é aquela em que a formação dos nossos alunos também está voltada para atender demandas e solucionar problemas da população.
Vai correr atrás de recursos em todas as áreas para compensar as perdas que as universidades tiveram?
Essa é a missão. Entre 2016 e 2022 a UFF perdeu mais de 40% do orçamento discricionário em termos reais. Vamos trabalhar pela recomposição por meio do orçamento do MEC, Finep, Faperj, FNDCT, captação de projetos, prestação de serviços tecnológicos e parcerias público-privadas com controle social. Não existe área de segunda classe: das Ciências do Mar à Filosofia, todas terão editais internos e apoio para captação externa.
Vai também recorrer a deputados e senadores por emendas parlamentares?
Sim, de forma republicana e transparente. Emenda parlamentar é instrumento legítimo de financiamento público. Vamos criar um escritório de projetos em Brasília e apresentar à bancada do Rio de Janeiro uma carteira de projetos estruturantes: hospital, bibliotecas, laboratórios multiusuários, segurança dos campi e expansão da assistência estudantil. Toda emenda recebida terá execução e prestação de contas publicada em tempo real. Já contamos com um apoio importante de uma frente de parlamentares progressistas durante a eleição, que acreditamos que se ampliará.
O que está mais no seu projeto inicial?
O ponto de partida é reconstruir a confiança interna e o orgulho de ser UFF. Isso significa um ambiente integrado e acolhedor de trabalho entre todos os segmentos, sem assédio moral e com escuta ativa. Haverá diálogo permanente com docentes, técnicos e estudantes, com suas entidades representativas, gestão técnica sem perseguições, desburocratização e entrega rápida de medidas já no início da gestão. A UFF tem tamanho, história e gente para voltar a ser referência nacional.
