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Quando a casa própria vira um pesadelo

Escrito por Gilson Monteiro às 17:20 do dia 9 de novembro de 2017
Sobre: Obra parada
09nov

Com cinco empreendimentos inacabados em Niterói, a João Fortes Engenharia faz o sonho da casa própria virar pesadelo para mais de 600 compradores. A construtora alega que sofre com as restrições de crédito ao mercado imobiliário e com o aumento da inadimplência, mas seus clientes reclamam que, apesar das obras paradas e dos frequentes adiamentos no prazo de entrega dos edifícios, eles pagam as prestações atualizadas pelo Índice Nacional da Construção Civil (INCC), que apura a evolução dos custos no setor da construção.

Os compradores já formaram grupos para acionar a João Fortes, cobrando a entrega de seus apartamentos nos edifícios Start Collection e Prime Collection, em Santa Rosa; Miraggio Charitas, em Charitas; Principado Fróes Residencial e Terramarine Icaraí, ambos em Icaraí.

Robert Correa, que comprou uma unidade do Start Collection, conta que durante todo o ano de 2015 a obra ficou paralisada, sendo retomada somente em março deste ano, mas há sessenta dias está parada novamente.

‑ Fiscalizamos a obra quase que diariamente, e eles sabem disso. Existe até casamentos que não aconteceram, porque os noivos contavam com a obra pronta no prazo, e pessoas que veem hoje a sua vida financeira e emocional destruídas. A empresa além de não cumprir o prazo de entrega em de julho/2017, reagendou a entrega para julho de 2018, só que a obra inexplicavelmente está parada novamente. E o INCC correndo solto, mesmo a companhia estando errada – diz Correa.

Sonhos desfeitos

Rafael, outro comprador do Start Collection, diz que vendeu o carro, a moto e pegou uma reserva de dinheiro para dar uma boa entrada no negócio feito com a João Fortes. “Achei que a minha vida estaria toda programada até a entrega desse novo apartamento. Minha esposa engravidou, nasceu o nosso filho e tivemos que tomar uma difícil decisão: vender o nosso apartamento do Fonseca, para pagarmos o restante do novo apartamento, até porque, no contrato, o novo apartamento que compramos da João Fortes, ficaria pronto em julho/2017, prazo contratual. Hoje nos encontramos numa situação completamente adversa da que planejamos, pois a construtora não se comprometeu conosco e não nos entregou até hoje, novembro/2017, o nosso então sonhado apartamento novo. Nosso filho já vai completar três aninhos e tivemos que, após vendermos o nosso apartamento próprio do Fonseca, alugar um apartamento em Santa Rosa, pois havia a necessidade do nosso filho estudar numa escola. A obra encontra-se completamente estagnada, a empresa João Fortes não nos esclarece o porquê e continuamos à mercê dessa empresa, a qual achávamos que tinha um grande nome no mercado e hoje nos encontramos assim, morando de aluguel, sem o nosso então sonhado apartamento e sem ter uma posição dessa empresa que a cada dia engana seus clientes”, relata Rafal.

Também o casal de advogados Carolina Vieitas e Nicholas Krajnc comprou apartamento o Star Collection em novembro de 2015. Eles se casaram em outubro de 2016, e vivem hoje em um apartamento alugado.

— Estamos gastando um dinheiro que não esperávamos gastar e vendo o INCC aumentar nosso saldo devedor, pois pagamos 50% do valor do imóvel e sobre os outros 50% incide o INCC todo mês – reclama Carolina.

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Gilson Monteiro
Gilson Monteiro
Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.
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14 thoughts on “Quando a casa própria vira um pesadelo

  1. Essa empresa João Fortes simplesmente brinca com sonhos dos seus clientes! Gente que batalhou a vida inteira pra comprar um apartamento e eles não cumprem com seus compromissos!

  2. Essas grandes construtoras são uma xerox da finada Encol , Tem que fazer um lançamento esse mês para pagar a construção do lançamento do mês passado !!! Na primeira crise de mercado para tudo !!! Viraram ” BICICLETA ” se parar de pedala caem !!! Não fazem reserva técnica financeira para os momentos de dificuldades .Essa praga no mercado , devemos a uma corrente de economistas que desde a década de 80 implantaram a tal da ALAVANCAGEM no crescimento das já grandes empresas , Esse processo consiste em endividar as empresas até seus limites de ativo com empréstimos bancários daqui e do exterior , propiciando com os riscos inerentes o crescimento vertiginoso das empresas ,…………. até a primeira crise !!!

  3. Boa noite!
    Também adquiri no Terramarine.
    Se há grupo de compradores movendo ação contra a João Fortes, relativo a atraso do Terramarine, solicito o contato.

  4. Essa construtura deu problema tb em Brasília…um amigo meu comprou ap dessa construtura e teve os MESMOS PROBLEMAS. eles tiveram que recorrer a justiça!!! Uma bosta

  5. Diante desse problema que se apresenta e se torna notório não so em Niterói mas também no RJ, é necessário num primeiro momento uma analise juridica mais profunda, porem que atenda a um interesse coletivo, buscando um resultado factível, haja vista que os quoruns necessários para qualquer ato jurídico pesarão nesse resultado pratico durante uma possível recuperação ou assunção dessas obras. Qualquer motivação individual deve ser cautelosa e não deve ser praticado o que seria o obvio nesse momento, em se se tratando de posicionamento juridico, sob pena de o fazendo, ter a chance de perder a chance de obter um resultado pratico. Seria por exemplo, ingressar num primeiro momento, com acoes de rescisão pleiteando a devolucao de valores pagos bem como as perdas e danos sofridos. Isso seria o obvio e na maioria das vezes, vários individuais são levados a crer nisso, talvez pela falta de experiência nesse tipo de problema, aonde deveria ser estudado com cautela o seu algoz e como obter um resultado pratico nessas situações. Esse tipo de problema é recorrente no RJ desse 1997 com a quebra da ENCOL e que se tornou referencia e escola para se tratar com efetividade desses casos, que merecem uma maior atenção, especialmente com relação ao quorum de um interesse coletivo que se fez presente para resolver o problema. De la pra ca, com o boom imobiliário muitas outras empresas de porte vieram a ser abalroadas por problemas e que tiveram o mesmo destino, porem, os adquirentes ao final, com a experiência trazidas em cada caso que se passava e eram resolvidos, ganhavam força para tratar de novos casos. Hoje a bola da vez é a PDG e na nossa cidade o imponente Monumetal Niemeyer vem sendo tratado com a devida cautela para ter um suporte de base que torna factível o resultado final pratico para cada adquirente. Nesse sentido, por uma experiencia vivida em mais de 61 obras abandonadas no RJ, peço que as tomadas individuais sejam feitas com cautela visando ao final um resultado pratico, aonde a coletividade se fará mais forte, para sustentar um tomada jurídica eficiente. Não adianta tomar um posicionamento de ganhar e não levar.

    1. Resumindo, cuidado se for entrar com o distrato judicial! Você ganha a causa, fica livre do imóvel, mas não recebe o valor de volta.

    2. Pois é Marcus.
      Mas o tempo corre e não da para esperar.
      Qual medida efetiva a tomar para mitigar este risco?
      “Qualquer motivação individual deve ser cautelosa e não deve ser praticado o que seria o obvio nesse momento, em se se tratando de posicionamento juridico, sob pena de o fazendo, ter a chance de perder a chance de obter um resultado pratico. Seria por exemplo, ingressar num primeiro momento, com acoes de rescisão pleiteando a devolucao de valores pagos bem como as perdas e danos sofridos. Isso seria o obvio e na maioria das vezes, vários individuais são levados a crer nisso, “

  6. Gente, entra na justiça. A construtora além de ser condenada a perdas e danos poderá também ser condenada a pagar o aluguel.

  7. Não só a João Fortes como a União Realizações também se comprometeu inicialmente a entregar o Chambord Grimaldi (Pendotiba) em dezembro/2016. Pouco tempo depois de adquirir o imóvel, me solicitaram assinar um contrato com nova data de entrega para junho/2017, tendo oferecido um desconto para isso. Em maio/2017, a União enviou uma mensagem eletrônica comunicando que a obra seria entregue em novembro/2017. No final de outubro, informaram que o novo prazo para entrega será fevereiro/2018. Em ambos adiamentos foi alegada a crescente inadimplência dos compradores. E aqueles que pagam suas prestações em dia, já compraram eletrodomésticos e móveis (que estão perdendo garantia) e estão alugando ou morando de favor enquanto a construtora continua fazendo suas especulações imobiliárias? Como ficam?

  8. É um absurdo o que a João Fortes bem fazendo com seus clientes. Destruindo sonhos com suas obras paradas! Lamentável a postura da empresa.

  9. Um absurdo. Famílias são destruídas com esse desrespeito.
    As pessoas devem procurar um advogado com experiência na área, de preferência de confiança ou indicado por alguém. A justiça tem boas decisões contra construtoras que descumprem os prazos contratuais.

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