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Prefeitura trará molambada olímpica para Niterói

Escrito por Luiz Antonio Mello às 09:20 do dia 30 de julho de 2016
Sobre: Olimpíadas
30jul

Argentinos acampados no Sambódromo durante a Copa do MundoLembram daquele lixão que “turistas” (entre aspas) da Argentina e arredores amontoaram no Terreirão do Samba na Copa do Mundo? A bordo de 150  motorhomes, alguns caindo aos pedaços, os molambos hermanos fizeram a maior lambança e acabaram banidos para a Praça da Apoteose, com seus varais de cuecas voando ao vento, porrancas generalizadas, brigas, gritaria e muita imundice. A Comlurb trabalhou pesado para remover todo o lixo ao longo do mês da Copa.

O portal G1 lembrou semana passada: “Durante a Copa do Mundo de 2014, os torcedores da Argentina chegaram a bloquear as pistas da Avenida Atlântica, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Na época, a polícia carioca chegou a usar spray de pimenta contra os torcedores que tumultuavam no local.”

Parece piada, mas não é. A prefeitura de Niterói decidiu abrigar esses gringos (pasme!) numa área da cidade. Entre os dias 5 de agosto e 18 de setembro, a cidade abrigará numa área de 20 mil metros quadrados, ao lado do Caminho Niemeyer, no antigo estacionamento do supermercado Carrefour, cerca de 900 veículos entre motorhomes e trailers, o que representa a expectativa três a cinco mil arruaceiros que a prefeitura insiste chamar de turistas. Você não sabe onde fica o terreirão dos hermanos? Não estranhe. Pouca gente sabe.

Para sorte de Niterói, os argentinos estão fulos da vida com o exílio involuntário, distante 70 quilômetros da Vila Olímpica e pode ser que desistam de vir para cá. Segunda-feira avistei um carro de turistas que tentava achar o local reservado ao “turismo” entre aspas, mas com a falta de sinalização da cidade acabaram se perdendo. A bordo de um antigo Peugeot branco, o motorista pediu informações. Estávamos na rua Desembargador Lima Castro, perto do Detran, no Cubango. Tentei explicar com meu castelhano tosco que é só dia 5, mas se quisessem visitar era só…, eles não entenderam nada. Mais: o carro deles enguiçou e durante os 40 minutos que passei no local resolvendo assuntos no Detran, os cinco hermanos que estavam a bordo não conseguiram desenguiçar o bólido.

A prefeitura, sempre na vanguarda do atraso universal, pediu um tratamento especial ao governo do Estado no quesito segurança durante os jogos olímpicos, ignorando que há tempos está em vigor a lei do “manda pra Niterói”, quando algo não presta. Por exemplo, carros da polícia caindo aos pedaços, “turistas” arruaceiros e outros quesitos.

Sabe que fiquei com pena dos turistas entre aspas. Vai que resolvem dar um passeio e descer a estrada da Cachoeira, onde quase toda semana um caminhão desembestado, acelerado, logicamente perde o freio e sai esmagando tudo pelo caminho. Aconteceu nesta terça-feira, 11 da manhã. Por que? 1 – a prefeitura só quer multar; 2 – há tempos um caminhão arrancou o poste que tinha um radar no final da Cachoeira. Todo mundo respeitava. O poste caiu, a prefeitura não pôs outro no lugar, e muito menos radar e a população que se exploda.

Imagine os argentinos, coitados.

 

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Luiz Antonio Mello
Luiz Antonio Mello
Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.
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