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A Gruta di Capri, a varanda, os garçons e a culinária italiana pioneira em Niterói

Escrito por Leitor escreve às 10:02 do dia 5 de outubro de 2019
Sobre: Patrimônio gastronômico
  • A varanda da Gruta di Capri
05out

Leitor escreve/  Luiz Guilherme E Beranger

A varanda da Gruta di CapriFrequentei a Gruta desde jovem e lamento muito essa situação. Lugar agradável e de deliciosa comida. Pizza deliciosa. Molho de tomate incrivelmente delicioso. Lasanha, filé com fritas. A lasanha de tão bem servida dava pra dois. Tudo uma delícia.

A casa tinha uma varanda que com o alargamento da Rua Miguel de Frias foi suprimida na década de 60. Chegaram a pensar que sem a varanda não ia sobreviver. Mas a pizzaria sobreviveu e continuava a ser um point junto com o Petit Paris, que ficava em frente à pracinha próxima.

O Petit Paris lamentavemente já se foi há muito tempo. No Petit Paris o Sérgio Mendes começou a sua brilhante carreira tocando piano e cantando antes de “ganhar” os EUA e o mundo.

A Gruta é o último tradicional restaurante de Niterói que ainda existe. Há tempos temos uma crise no país e muitos estabelecimentos comerciais fecharam as portas. As luvas e aluguéis castigam os proprietários. O restaurante fecha e o imóvel muitas vezes fica fechado por anos.

Falei no início que frequentei porque depois da reforma fui poucas vezes lá. Ficou mais bonito, mais moderno, tinha e tem tudo pra continuar o grande sucesso que sempre foi. Todos eram muito  simpáticos. Antes da reforma tinha o “seu” José, garçom de primeirissima linha que criou escola lá na Gruta. O clente era o rei. Era atendido em tudo que ele queria. Um dos ótimos “alunos” do seu José foi o Carlito. Um já estava idoso e o outro bem jovem aprendendo com o mestre. Carlito também é um ótimo profissional. Outros também se destacaram.

Com a reforma foi implantado um sistema de atendimento mais impessoal, “afastando” um pouco o cliente. O que podia não pode mais. “Pode trazer um pouquinho mais de queijo ralado?” Depois esse tempo passou e o “jogo” ficou mais duro devido ao novo estilo de administração. Os garçons passaram a tratar os clientes de forma mais “profissional”. Pelo menos foi o que notei na ocasião.

A Gruta reinava sozinha. Aí surgiu uma concorrência leal, porém pesada de outros ótimos restaurantes na mesma rua e em outros pontos da cidade. Enfim, como assíduo frequentador que já fui, lamento que a situação tenha chegado a esse ponto de ter que se mudar. Torço para que a Gruta consiga superar esse difícil momento e encontrar uma solução com os proprietários do imóvel. Que continue a nos encantar com os seus pratos deliciosos. Boa sorte e sucesso aos proprietários e à competente equipe que lá trabalha.

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6 thoughts on “A Gruta di Capri, a varanda, os garçons e a culinária italiana pioneira em Niterói

  1. Não vai fechar por causa do aluguel! Má adiministração…aliás péssima!! Dividas fiscais e bancárias enormes!! A atual administração acabou com a empresa!!!

  2. Deixo aqui o meu agradecimento ao Gilson Monteiro, pela bela reportagem sobre a Gruta de Capri. Fiquei muito feliz em ver o meu pai sendo homenageado como um Mestre, o Sr José, garçom daquela casa por muitos anos. Estou na torcida para que a tudo se resolva, para podermos ter a Gruta de Capri entre nós !!!
    Valeu Gilson Monteiro!

  3. Muito interessante esse “debate” sobre a Gruta de Capri que a Coluna do Gilson está proporcionado aos seus leitores. Conversar sobre restaurantes e comidas maravilhosas é apaixonante. Não sei cozinhar, infelizmente. Acho que não levo jeito mesmo. Queria até aprender, mas acho que não daria certo. Mais aprecio demais quem sabe. É um dom que algumas pessoas tem. É uma arte. Como diz um amigo, é um laboratório de quimica. E saem coisas fantásticas desse “laboratório”. As vezes coisas inacreditáveis e surpreendentes. Tem os ingredientes… eles estão aí. Qualquer um pode pegar e fazer, mais não faz. Não faz porque não sabe fazer, pois não é pra qualquer um. Muitas pessoas cozinham e a comida fica mt boa, pode ficar ótima. Mas existem pessoas que parecem não ser desse mundo. Vou explicar o que estou falando. Vou pegar um exemplo simples, as pizzas. Existe alguém em algum lugar do mundo que não goste de pizza? Pode até ser que sim.Tudo é possível nesse mundo louco. Existia a pizzaria italiana na Rua da Conceição. Comia desde criança e isso já faz mt tempo. Na ocasião para mim era o máximo. Aguardava ansiosamente quando ia lá com os meus pais. Era deliciosa. E olha que era só de muzzarela. Que molho, eu pensava enquanto comia. Que delícia… Até hoje nunca esqueci aquele sabor. E nunca vi igual em nenhuma outra pizzaria. Como pôde fechar? O que aconteceu?
    Tinha também, claro, as deliciosas pizzas da Gruta de Capri, aliás, “Gruta di Capri” em italiano, mas acabamos falando “de Capri” em português para não parecer que falamos errado. Hahahaha.
    Em diversas épocas já saboriei pizzas simplesmente fantásticas, maravilhosas. Estou falando tudo isso pra dizer que pensei que já tivesse visto e experimentado tudo a respeito de pizza. Ledo engano. Para a minha agradável surpresa tive a oportunidade de conhecer esse ano uma pizza que me deixou extasiado. “Que isso!! Pensei”. Nem sei se devia falar, afinal gosto não se discute. Cada um tem as suas preferidas e as suas preferências. Mas vou falar. Conheci uma pizza chamada de “Majestosa” da “Pizzaria Dona Toscana” em São Francisco. Posso apenas dizer que ela faz jus ao nome. Não acreditava que estava comendo umas das melhores pizzas que já comi na minha vida. “Ninguém devia falar enquanto estamos comendo essa pizza” falou alguém na mesa, “é gostosa demais, temos que curtir esse momento e esse sabor maravilhoso”. Por um instante fez-se um merecido silêncio a esse momento de celebração, como se fosse uma reverência aos deuses da gastronomia e algumas fatias foram saboreadas em silêncio, com um profundo respeito ao genial “Chef” que bolou e criou essa delícia. Conhecer essa pizza confirmou para mim o velho ditado que diz “vivendo e aprendendo”. Parabéns a “Dona Toscana”. Obs: Quando comecei a escrever eu pretendia falar sobre o “La Mole” inspirado na frase da leitora Regina, “Uma pena, perdeu a identidade e virou um nada…”. Entendi que ela falava do La Mole e se for mesmo o caso, confirma a impressão da minha última ida lá. Esse assunto também merecia um “debate”. Entenderam?

  4. Mudaram muito.
    Tiraram pratos tradicionais do cardápio como o fetutine ao pailard.
    Era o melhor.
    Durante a semana também mudaram.
    Era como o Degrau do Leblon.
    Lá continua tudo igual.
    A própria Torna “teve” que retornar com alguns clássicos e com o inhoque da fortuna depois que foi parar na Nóbrega.
    Pizza e massa iguais a delivery não dá, muita concorrência.
    Veja o La Mole, “imechivel” desde o couvert. Quem gosta retorna.
    Uma pena, perdeu a identidade e virou um nada…

  5. Morei ao lado da Gruta durante 35 anos! Meus filhos cresceram aí e agora, morando na Barra da Tijuca, não é raro atravessarmos a Ponte para saborear o melhor filé à parmegiana, onde não se encontra igual em nenhum outro restaurante. A Gruta deveria ser tombada como patrimônio municipal!!! Vida longa à Gruta de Capri!!!

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