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Engenheiro revela em livro a alma dos casarões de Niterói de antigamente

Escrito por Gilson Monteiro às 15:00 do dia 4 de fevereiro de 2020
Sobre: Memórias
04fev

Livro A Alma dos Casarões, de José Bedran SimõesO engenheiro José Bedran Simões assistiu de perto o crescimento de Niterói, sua transformação urbanística e a verticalização, principalmente da Zona Sul. Antigas residências e terrenos arborizados cederam espaço aos arranha-céus acabando com a vida tranquila de antigamente.

Agora o niteroiense, descendente de uma família de libaneses, resolveu aos 81 anos de idade escrever sobre “A alma dos casarões”, livro que acaba de lançar pela Editora Multifoco (contato@multifoco.com.br).

Bedran tem um currículo vivido em casarões sólidos, muitos com estruturas em pedra argamassada com óleo de baleia, paredes de tijolos maciços, pés direitos de mais de 4,5m e assoalhos de pinho de riga, que perfumavam o ambiente e lhe acompanharam por toda a vida. Os casarões, diz o engenheiro, lhe inspiraram confiança a escolher a carreira de sua vocação.

Nasceu pelas mãos habilidosas da médica alemã Gertrudes Boedner, no casarão da rua Presidente Pedreira 143, onde vivia sua família. Depois, mudaram-se para outro, na Praia das Flechas 75, endereço que Bedran viu dar lugar a um edifício, onde mora até hoje.

A alfabetização e o primário, fez com a professora Lecy Brandão. Ela fundara no casarão onde morava na Rua Presidente Pedreira, o Instituto Santa Infância, em frente à Igreja do Ingá.

Uma vida inteira nos casarões

Depois, durante sete anos, cursou o ginasial e o científico, no Colégio Bittencourt Silva, na Lara Vilela, em um casarão construído em 1845, que fora residência do cônsul da Grécia, e que hoje pertence à UFF.

Aprovado no vestibular, cursou a Escola Fluminense de Engenharia, com poucos alunos. Após a formatura, foi professor de hidráulica no grande chalé da Passo da Pátria ali erguido em um terreno enorme, que vai até a Praia Vermelha.

A vida de Bedran se resumia ao bairro do Ingá até ter que, paralelamente à faculdade, teve que servir no NPOR, no 3° Regimento de Infantaria, no antigo Quartel da Venda da Cruz, em São Gonçalo.

Formado, foi nomeado engenheiro do Governo do Estado do Rio de Janeiro, indo trabalhar na Comissão de Águas e Engenharia Sanitária, num casarão na Avenida Marques do Paraná, que passou para a Cedae e hoje pertence a Águas de Niterói.

Tudo isso, sem contar que Bedran visitava casarões de parentes e amigos, estava constantemente em órgãos públicos, verdadeiras relíquias, como o Palácio Nilo Peçanha, a antiga Prefeitura, a Biblioteca Pública, o Museu Antônio Parreiras, a Assembleia Legislativa, os Tribunais de Justiça e de Contas (este conhecido como bolo de noiva), além de assistir os programas do Chacrinha na Rádio Clube Fluminense, num casarão da Praia das Flechas, e no clube Praia das Flechas, onde participava dos rachas de basquete.

Tudo que viu, ficou gravado na memória, mas as fotos, muitas estão no livro, outras extraviadas ou se deterioraram com o tempo.

– Se fosse hoje, todas as imagens estariam salvas na nuvem do meu celular – diz Bedran.

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Gilson Monteiro
Gilson Monteiro
Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.
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9 thoughts on “Engenheiro revela em livro a alma dos casarões de Niterói de antigamente

  1. Fui aluna dele na Escola de Engenharia e posteriormente acompanhei a trajetória deste profissional como professora na mesma Escola. Fico feliz que tenha registrado tantas informações. Vou buscar o livro urgente.
    Anna Virgínia

  2. Fico feliz em saber que parte da história de nosso bairro do Ingá está preservada graças ao trabalho deste grande homem e engenheiro. Tenho orgulho de poder conviver com ele aqui no bairro e também ter podido dividir alguns trabalhos. Irei adquirir seu livro e tenho certeza que será fonte de ensino e pesquisa para as novas gerações de universitários, engenheiros e arquitetos.

  3. Prezado Gilson,
    Excelente exposição narrativa do autor, que em vários detalhes coincidem com minhas vivências: nascemos no mesmo ano de 1939, servimos no NPOR, escrevemos livro… Sobre prédios antigos, é um capítulo à parte, pois tive a felicidade de resgatar a memória de centenas de pessoas, suas histórias e suas casas: a Villa Pereira Carneiro, um bairro de Niterói desde 1954, e ainda pouco conhecido. Pena que a construção mais linda, e repleta de fatos tenha sido demolida: o Portão da Villa, capa do livro que compus e você temem seu poder. Há algum tempo, o Helinho (família do Sidônio) estava fazendo levantamento extraordinário, indo às origens, da arquitetura das casas da Villa. E no face, foram postadas várias fotos relativas à construção das casas. Teria interesse em divulgar em sua coluna? Recebi excelente crítica de um doutor em Filosofia, que muito me honrou,colocando-me entre os melhores historiadores niteroienses. Independente desse livro, editei outro – História do Voleibol no Brasil – período 1939 a 2000, em 2 vols. que abrigam 1.047 págs; adjetivado como inédito, enciclopédico, memorialista e ‘obra de referência’ em Sociologia do Esporte.

  4. José Bedran, Grande profissional, criatura muito inteligente e um ser humano maravilhoso. Um homem que podemos ter orgulho de ser Niteroiense.
    Sempre resolvendo problemas e ajudando a todos que procuravam em sua rotina da Cia de Água.
    Parabéns pela grande iniciativa de divulgar a arquitetura, a arte e a memória de nossa cidade.

    1. Foi meu professor na escola de engenharia da UFF. Tenho um grande respeito por ele. Excelente professor.

    2. Antônio Lopes, muito obrigado, você tem a mesma gentileza atendendo os contribuintes na Receita Federal !

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