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Coluna do LAM

Visite Niterói e tenha o carro rebocado

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O otário turista decide vir conhecer Niterói com a família. Não sabe que corre sérios de ter o carro rebocado pela prefeitura, mesmo que pare em um lugar sem placas indicando estacionamento proibido. É o caso, por exemplo, do Solar do Jambeiro, bela mansão histórica restaurada no início dos anos 1990. Situado na quase erma rua Presidente Domiciano, o Solar virou alçapão dos gananciosos papa grana que faturam para a prefeitura.

Semana passada, um crédulo cidadão (vulgo babaca), pagador de impostos, documentação em dia, foi ao Solar do Jambeiro e estacionou onde está o carro branco da foto que ilustra este artigo. Como se vê, não há nenhuma placa informando que é proibido. Em cinco minutos um papa grana da empresa Zaplog, que trabalha para a prefeitura, guinchou o carro. Para resgatar o veículo no depósito, o proprietário teve que pagar R$ 121,50 de serviço de reboque mais R$ 55,98 de diária no depósito e ainda vai receber uma multa pelo correio no valor de R$ 127,69 e perder cinco pontos na carteira. Total: R$ 305,17!!!

Recomenda-se ao kamikaze turista que vem a Niterói que conheça os pontos turísticos de ônibus, táxi, Uber ou a pé. Antes de chegar a cidade, o turista deve rezar e pedir especial para sobreviver numa cidade tomada de marginais, muitos disfarçados de moradores de rua, sob a benção de um navio de cabides de cabide de empregos do PT chamado Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, onde nossos impostos pagam mensalmente dezenas de pessoas sob o comando de uma secretária que, há anos, cumpre o mesmo virtual: se elege vereadora pelo PT e imediatamente assume a secretaria que virou seu feudo eleitoreiro.   

A Polícia Militar faz o possível e o impossível num Estado onde a corrupção tascou todo o orçamento, enquanto que a guarda municipal da cidade, metida a marrenta, só presta para fazer caras e bocas em raros locais onde diz atuar, tratar os otários cidadãos com grosseria e indiferença e trabalhar como atores nos vídeos eleitorais do prefeito que, dizem as ruas, vai tentar ser governador do RJ caso os eleitores decidam, de vez, pelo fim do mundo, vulgo Apocalipse Now.

Os turistas que ousarem visitar Niterói de carro (há masoquista para tudo nessa vida) devem saber que a sinalização nos postes na maioria das vias está ilegível, caindo aos pedaços ou não existe. Em muitos casos, a esperta e minimalista prefeitura usa micro pedaços de sei lá o que onde escreve “parada de ônibus”. Só lê quem anda de lupa pelas ruas. E é aí que entra o papa grana rebocando carros, ética, cidadania e tudo mais.

Os papa grana descobriram um novo filão e agora frequentam lugares quase desertos, como ruas internas de São Francisco e também na Região Oceânica. Sim, a mesma Região Oceânica onde não há asfalto em boa parte das vias, os papa grana estão lá, em ação. O turista palerma para o carro, por exemplo, na orla de Itacoatiara para fotografar a praia e, com amigos e familiares, caminham um pouco por ali. Além de não enxergar praia nenhuma porque transformaram a restinga num matagal que abriga bandidos, ratos, lixo e usuários de drogas, o turista trouxa tem seu carro imediatamente guinchado pelo papa grana da prefeitura. Se for fim de semana, só verá o carro segunda-feira, diz a lei do cão.

Em São Francisco e Charitas é uma festa. As lisérgicas rótulas que inventaram na avenida Rui Barbosa, hoje semi abandonadas (tachões soltos, muitos acidentes), somadas a baderna no trânsito formam o ambiente ideal para a ação dos reboques – papa grana e sua ganância de faturamento. Não importa se o contribuinte passou mal, se está numa clínica, se teve uma urgência, o negócio deles é rebocar, mesmo alertados por quem grita “peraí! Não faz isso não, a pessoa está passando mal!”. Dane-se, diz o papa grana.

Visite Niterói e tenha o carro rebocado. Estou pensado seriamente em fazer um adesivo com esses dizeres e distribuir por aí.

Luiz Antonio Mello

Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.

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